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Quem tem um negócio de alimentação fora do lar vive há muito tempo em mares agitados, sem bússola ou GPS, escassez de vento ou combustível, com falta de tripulação (em qualificação e em quantidade/disponibilidade) e com o céu encoberto sujeito a tempestades, tufões e redemoinhos previsíveis e não previsíveis.

Por conta deste cenário de perigos e incertezas, a Abrasel tem feito várias pesquisas em busca de respostas que possam orientar e auxiliar o empreendedor de AFL em estratégias, tomadas de decisão e entendimento do momento de mercado.

Às vezes somos instados a pensar que este cenário é algo exclusivo do mercado brasileiro pelo ambiente político, questões trabalhistas e tributárias bem peculiares e até mesmo pela diversidade interna de mercado em termos de púbicos, hábitos alimentares e poder aquisitivo em relação ao possível consumo de alimentação fora do lar. Mas quando nos deparamos com outras pesquisas feitas em outros mercados encontramos muito mais pontos convergentes e em comum do que poderíamos imaginar.

Mercado de bares e restaurantes: uma visão comparativa

O relatório da indústria de restaurantes em 2022 dos EUA, realizado pelo NRA (National Restaurants Association), e publicado em 31 de janeiro de 2022, mostra dados atuais e identifica tendências de desenvolvimento e possíveis ações para recuperação do mercado local.

O relatório mostra como a pandemia está remodelando as vendas, operações, força de trabalho, cardápios e uso da tecnologia. Ele também detalha as preferências e comportamento dos consumidores, e considera quais tendências provavelmente se manterão, esboçando uma ideia de tempo para recuperação do mercado norte-americano.

Meia dúzia de considerações para reflexão:

• A indústria de Foodservice deve atingir US$ 898 bilhões em vendas em 2022.
Expectativa de vendas para 2020 era de U$ 899 Bilhões (pré-pandemia), mas ficou em U$ 659 Bilhões com uma queda de U$ 240 Bilhões (27 %). Em 2021 as vendas alcançaram U$ 817 Bilhões

• A força de trabalho da indústria de foodservice deve crescer 400.000 empregos, para o emprego total da indústria de 14,9 Milhões até o final de 2022.
12,5 milhões: funcionários da indústria de restaurantes no final de 2020, abaixo de 3,1 milhões em nível esperado. Desta forma, ainda assim, o número de pessoas ocupadas seria de 653 mil (4,5%) menor em 2022 do que na pré-pandemia (15,6 Milhões de pessoas trabalhavam no setor em 2019).

• 96% dos operadores sofreram atrasos no fornecimento ou escassez de itens de alimentos ou bebidas em 2021 que compõem seu cardápio – e esses desafios provavelmente continuarão em 2022. A inflação para os produtos no atacado foi de 7,9%; o aumento médio nos cardápios 4,5%; carne bovina 29%/Frango 24%/Suínos 17% e ovos 17%.

• 51% dos adultos dizem que não estão comendo em restaurantes com tanta frequência quanto gostariam, o que representa um aumento de 6% em relação ao número levantado durante o período mais crítico da pandemia. O preço das refeições nos estabelecimentos do setor subiu e a questão financeira já supera o medo da pandemia para seu retorno, com diminuição da frequência aos estabelecimentos.

• Apesar de tudo, a demanda reprimida dos consumidores por serviços de restaurantes continua alta. O cliente quer voltar a frequentar bares e restaurantes, mas as dúvidas quanto ao futuro o deixam inseguro quanto aos gastos, daí quando de uma retomada mais robusta da economia, o setor se beneficiará com maior demanda e menor oferta (mais de 100 mil estabelecimentos fecharam as portas nos EUA).
• Mais da metade dos operadores de restaurantes esperam que demore um ano ou mais até que as condições de negócios voltem ao normal. Espera-se que os custos de alimentação, mão-de-obra e ocupação permaneçam elevados e continuem impactando as margens de lucro dos restaurantes em 2022.

Relatório da NRA mostra como a pandemia está remodelando as vendas, operações, força de trabalho, cardápios e tecnologias de bares e restaurantes

No mercado de equipamentos não é diferente

Segundo a MAFSI (Manufacturers' Agents Association for the Foodservice Industry) alguns dos principais problemas são.
• Extrema escassez de mão-de-obra;
• Problemas na cadeia de suprimentos;
• Novas tecnologias atropelando estoques;
• Fusões e aquisições em alta;
• Novas políticas de saúde para as fábricas aumentam custos;
Os distribuidores e representantes receberam listas com aumento de preços em 1º de janeiro 2022 com aumentos de 6 a 10% e esperam mais outra lista de reajuste com aumentos entre 4 e 7% até o meio do ano.

*Marco Amatti é especialista na área de alimentação e é Diretor Adjunto da Abrasel em São Paulo

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