Por Pedro Henrique Oliveira*

Não é novidade nenhuma o fato de que todos os dias vários bares, restaurantes, espetinhos, lanchonetes e afins são abertos. O inverso disso também é real, muitos fecham suas portas com a mesma agilidade que abriram. Esse fato pode ser comprovado por todos, quando damos uma volta pelo nosso bairro ou pela cidade.

Grande parte dos empresários entende que gerir uma casa significa apenas oferecer produtos com preços bons e ter alguns clientes. Temos aí o primeiro grande erro, pois isso mostra falta de planejamento e conhecimento sobre o setor.

Como professor e consultor da área da gastronomia, afirmo que a grande maioria dos gestores só busca informações e conhecimento quando a situação está crítica, o pedido de ajuda só acontece quando o caldo entorna e quando o sonho passa do ponto. Ou seja, agimos pela DOR ao invés do SABOR! Quando falo de sabor não falo apenas de pratos bem elaborados, falo do sabor pelo conhecimento, do sabor da produtividade e do sabor do sucesso.

Com a globalização, com a democratização do uso da internet e o uso massivo dos celulares tudo se tornou muito mais acessível, basta alguns clicks e temos em nossas mãos grupos do setor, divulgação de workshops, reportagens, artigos e uma infinidade de produtos que podem ser consumidos e digeridos com gosto e sabor. Esse cardápio de informações é a fonte de alimento que nós que trabalhamos com a alimentação fora do lar precisamos para nos manter vivos e saudáveis financeiramente.

A gastronomia é parte da nossa cultura, e tem a mesma importância de pinturas rupestres e livros – através dela pode-se retratar quem somos ou a época que vivemos. Pensando nisso, vemos que a cultura brasileira ainda consiste em dar um jeitinho em tudo. No âmbito do conhecimento e planejamento, o jeitinho não precisa ser visto como algo pejorativo, mas sim criativo. Devemos utilizar dessa técnica brasileirinha para criarmos um diferencial e nos despontarmos internacionalmente pelo excelente atendimento, pela criatividade de nossos pratos e pelo preparo de nossas casas. Melhorando nossa produtividade, seremos assim imbatíveis no mundo.

Até quando a DOR será a mola impulsionadora para busca de conhecimento? Por que não estarmos um passo à frente? Por que não seguimos as receitas de sucesso? Por que não criarmos cardápios autorais (usando o jeitinho, a criatividade) que remetam a lembranças afetivas deliciosas? Essas perguntas precisam ser feitas e precisamos mudar a mola que nos impulsiona. A dor não pode ser crônica e os resultados não precisam ser indigestos.

A gastronomia é fonte de prazer e o sabor precisa estar presente todos os dias em nossas vidas e de nossos clientes, assim como conhecimento e a constante troca de informações. Portanto, fica a pergunta: você tem aproveitado o sabor que o conhecimento oferece ou prefere ficar com a sensação indigesta de acumular resultados negativos e não apresentar nenhum diferencial para sua clientela?


*Pedro Henrique Oliveira é professor, gestor executivo e colunista da revista Bares & Restaurantes

Comentários