Artigo de opinião de Sergio Molinari, sócio-consultor da Food Consulting

Sem dúvida nenhuma, um dos principais destaques no mundo do Foodservice, no Brasil e no mundo, é o tema “Plant Based Foods”, ou Alimentos à Base de Plantas. Este destaque estava bem claro nas 2 principais feiras internacionais que abraçam o Foodservice – o NRA (National Restaurant Association) Show em Chicago, e a ANUGA, na Alemanha. Expositores, degustações e outras abordagens mostravam queijos, iogurtes e outros lácteos, almôndegas, pedaços de frango, carne moída e, como grande estrela, hamburgueres à base de plantas.

Falando do mercado norte americano, de longe, o maior mercado de hamburguer do mundo, duas marcas disputam ferozmente o mercado – o Impossible Burger (ou Hamburguer Impossível), e o Beyond Burger (ou “além do Hamburguer”). Em inúmeras lojas do varejo, já em várias redes de hamburguer e hamburguerias independentes, já é seguro afirmar que não se trata de um exercício de futurismo, mas de uma tendência irreversível de consumo.

Enquanto nos preparávamos para a Missão Internacional ao NRA, aqui no Brasil, uma foodtech de gente grande colocava no mercado a primeira grande versão brasileira do Hamburguer Vegetal – falo da Fazenda Futuro com seu Futuro Burguer, lançados inicialmente na Lanchonete da Cidade em São Paulo e no T.T. Burger no Rio. Recentemente, foi anunciada uma parceria importante entre a Marfrig e a americana ADM para a produção de linhas de Hamburgueres Vegetais, tendo como primeiro cliente no Brasil justamente uma das maiores Redes de Hambúrgueres do Mundo, o Burger King, mas prometendo se espalhar por outras redes.

Bob’s, McDonald’s e inúmeras outras redes também começam a se posicionar com suas versões de Hamburgueres vegetais, mas, convém destacar, este movimento deverá permear todo o mercado, das redes enormes até a grande parte dos independentes. Para engrossar a lista, logo-logo BRF, JBS, Wessel, Superbom e outros, entre gigantes e especialistas, certamente terão seus produtos disponíveis e o mercado estará em pleno estado de guerra pelo Hamburguer Vegetal, ou Hamburguer de Plantas.

Os nomes são no mínimo interessantes e curiosos: “Tentador Zero Beef”, “Rebel Whopper”, “Big Mac Vegano”, “Futuro Burguer”, “Incrível Burger”, e por aí afora. Mas, aqui entre nós, o que considero mais importante mesmo é comentar a constatação de que, muito acima de serem voltados aos vegetarianos e veganos, os Hamburgueres Vegetais são voltados a quem gosta mesmo é de Hamburguer. Estudo recente do NPD Group (uma das mais importantes empresas de pesquisa em Foodservice do mundo) nos Estados Unidos confirmou que a maior parte do crescimento do consumo de Hamburgueres à base de plantas ocorre entre consumidores tradicionais de Hamburgueres de origem animal.

Em parte, porque os Vegetarianos e Veganos não são o grupo majoritário dos consumidores, mas, tão importante quanto, porque uma parcela importante da população adulta total (18%) está realmente buscando consumir mais alimentos à base de vegetais. dos animais e do consumo de água, áreas agricultáveis etc. O dado mais agudo neste sentido na pesquisa é que 95% das pessoas que consumiram Hamburgueres à base de plantas também consumiram Hamburgueres à base de proteínas animais, num mesmo período de tempo.

Há um efeito combinado bastante relevante: a busca por consumir mais proteínas (e mais saudáveis) e o crescimento da preocupação com a sustentabilidade, do ponto de vista da vida A constatação é que os consumidores estão fazendo substituições com menos sacrifício, conciliando a “experiência de comer Hamburguer”, com os racionais citados acima, buscando mais equilíbrio e bom senso no consumo.

Falando apenas de análogos de carne animal, na carona do Hamburguer podemos contar com carne moída, pedaços de frango e muito mais. Este capítulo da história apenas começou e promete muita novidade. E, como costumo dizer, fica a dica para toda o mercado: Plant Based Foods é uma tendência com grande potencial e longevidade; quanto mais os produtos evoluírem em sabor, textura, aroma, aparência e em disponibilidade, tanto mais o mercado crescerá.



*Sergio Molinari é sócio-consultor da Food Consulting

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