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Adesão de restaurantes ao meio de transporte ainda é limitada, mas a Abrasel no Ceará aposta nas bicicletas como uma tendência no mercado. Segundo o Rappi, 30% da frota da empresa é composta por bicicletas na cidade

O uso da bicicleta como meio de transporte na entrega de pedidos de delivery, feitos através de aplicativos, tem se tornado uma tendência em Fortaleza. Através de incentivos, como a implementação de uma estrutura cicloviária, empresas de aplicativo e estabelecimentos locais têm aderido aos poucos à ideia.

"Temos alguns casos que já estão fazendo isso (utilizando bicicletas), mas ainda é limitado. Quem tem usado mais esse tipo de transporte se limita a uma região bem próxima ao restaurante ou estabelecimento", analisa Taiene Righetto, diretor executivo da Abrasel no Ceará.

Ainda segundo Righetto, embora a adesão das empresas por esse tipo de transporte nas entregas ainda seja pouco significativo, é uma tendência que deve aumentar.

"Ainda não chega a 5% dos restaurantes que estão trabalhando dessa forma, mas é uma tendência do mercado", conclui o diretor da entidade. De acordo com ele, essa alternativa pode fazer uma diferença para as empresas, já que a economia com o combustível é um ponto positivo.

Incentivos

Há sete anos, a Capital contava com poucos espaços para o fluxo de ciclistas nas vias públicas. Em 2012, a rede cicloviária da cidade possuía 68,2 quilômetros (km) de extensão. Atualmente, Fortaleza possui 257,5 km de estrutura, das quais 105,9 km de ciclovias, 147,5 km de ciclofaixas e 4 km de ciclorrotas, segundo dados da Secretaria Municipal de Infraestrutura de Fortaleza (Seinf). Para Beatriz Rodrigues, urbanista da iniciativa Bloomberg, a implementação da malha cicloviária nas cidades incentiva as economias locais através do uso de transportes sustentáveis.

"Muitos estudos comprovam que preparar uma cidade para isso (uso de transportes sustentáveis) dá incentivo ao comércio local. Isso traz um ganho para a cidade como um todo, porque fora a questão ambiental, temos a questão da mobilidade de outros meios", avalia a urbanista.

O uso da bicicleta e de outros meios de transporte ativos pode ser uma alternativa de economia para os negócios, segundo a urbanista. "As empresas podem priorizar o transporte da bicicleta porque é mais barato e não polui. Então, ter a cidade preparada para isso incentiva o uso da mobilidade ativa, em que o ser humano precisa se movimentar para se deslocar", comenta.

Oportunidades

Para os entregadores que trabalham nesses aplicativos na Capital, optar pelo uso da bicicleta no trabalho, além de ser uma alternativa econômica devido à instabilidade no preço dos combustíveis, é uma ideia que muitos usam pela questão da preferência desse transporte no cotidiano.

"Há três meses, eu comecei a trabalhar como entregador em um aplicativo e está valendo a pena. Eu estou trabalhando para que as entregas sejam minha renda fixa e pretendo ficar integralmente nele. É possível eu tirar uma renda boa no mês", explica Wismylian do Nascimento, garçom e entregador nas horas vagas. De acordo com ele, é possível ter, em média, cerca de R$ 700 a R$ 800 por mês trabalhando meio período de serviço, durante o dia. Para Nascimento, pedalar também é uma atividade de lazer. "Eu gosto da bicicleta, sou apaixonado pelo ciclismo e poder conciliar algo que eu gosto com algo que eu preciso, que é o trabalho, é gratificante", comenta.

Para Anderson Corrente, que está desde o final de 2018 colaborando em entregas de aplicativos de comida, a questão econômica deste meio de transporte foi um dos fatores que o atraíram para a modalidade, levando em conta os altos gastos para abastecer veículos automotivos.

O entregador, que também é estudante universitário, quis garantir uma renda extra no mês para arcar com seus custos pessoais. "Vale muito a pena trabalhar com isso e utilizar a bicicleta. Mas, apesar disso, nós temos uma responsabilidade grande no trânsito, pois ficamos muito expostos", aponta.

Na Capital

Entre os principais aplicativos que fazem a entrega principalmente de comida ou produtos de conveniência, se destacam Rappi, Uber Eats e Ifood. Dois deles são habilitados para entregas via bicicleta. Segundo o Rappi, cerca de 30% dos cadastros de entregadores da Capital e do Nordeste já utilizam este meio.

"Sentimos que os restaurantes e estabelecimentos aderiram a essa alternativa por gerar menos poluição. Nós notamos que os entregadores são mais jovens e também são estudantes universitários, que desejam ter uma renda extra", avalia Rafael Correia, gerente de operações regionais da Rappi.

O Uber Eats não forneceu dados sobre a adesão de cadastro de entregadores locais, mas informou que permite pessoas que têm acesso a uma moto ou bicicleta façam entregas. Procurado pela reportagem, o Ifood informou que, atualmente, o cadastro de entregadores é realizado unicamente por motocicleta.

Fonte: Diário do Nordeste

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