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Bares 'oitentões' de BH esbanjam charme e seduzem a freguesia

  • PUBLICADO EM: 28/10/2019
  • Tempo estimado de leitura: minuto(s).

Abertos no início do século 20, Café Bahia, Café Nice, Tip Top e Bilhares Brunswick atravessaram décadas, mantiveram a proposta dos fundadores e souberam se renovar

Ronaldo Lúcio dos Santos, do Café Bahia, comanda a casa que o pai abriu em 1937 (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

O tempo voa, mas os “velhinhos” estão firmes no pedaço. Tip Top, Café Nice, Bilhares Brunswick e Café Bahia já passaram dos 80 anos e continuam conquistando a freguesia. Aberto em 1939 por Francisco de Souza Couto, Bilhares Brunswick está comemorando oito décadas. No início, chamava-se Bilhares Avenida. Migrou para o Edifício Acaiaca, onde permaneceu até 1975. Mudou-se para o alto da Afonso Pena e está lá até hoje.

Aberto em 1939 por Francisco de Souza Couto, Bilhares Brunswick está comemorando oito décadas. No início, chamava-se Bilhares Avenida. Migrou para o Edifício Acaiaca, onde permaneceu até 1975. Mudou-se para o alto da Afonso Pena e está lá até hoje. A casa é comandada por Andrea Pazzini, neta de Francisco. “E lá se vão 44 anos no Bairro Cruzeiro”, comenta ela. A empresa continua “em casa”. “O negócio permanece porque temos o suporte da família, além de vários parceiros. A questão maior é manter a tradição e o desejo do meu pai e do meu avô”, orgulha-se Andrea.

Brunswick tem sete mesas de bilhar – seis do tamanho oficial e outra semi. O cardápio lista tira-gostos e sanduíches. Entre as opções estão filé com fritas (R$ 44,50), linguiça com mandioca (R$ 36,90) e torresmo com mandioca (R$ 21,90. “Nosso sanduíche mais pedido se chama Campeão, vem com pão francês, ovo, tomate, filé e queijo”, conta Andrea. O preço é R$ 17,20. A freguesia é fiel, faz de lá um ponto de encontro. “Várias turmas jogam aqui todas as semanas. Um cliente das sextas-feiras frequenta a casa há mais de 40 anos. A turma de segunda vem há 20. Talvez a turma mais 'jovem' tenha por volta de 15 anos de frequência”, calcula Andrea Pazzini. A clientela é eclética: empresários, artistas, profissionais liberais e políticos. “O doutor Pedro Aleixo foi um dos frequentadores do Brunswick. Vários músicos também, como o pessoal da banda Tianastácia”, conta.

O publicitário e professor Ademar Murici, de 68 anos, frequenta o Brunswick há mais de 30. “Gosto de vir quando saio do trabalho, pois é tranquilo e sempre encontro algum conhecido jogando. Às quartas-feiras, marco com velhos amigos para tomar cerveja, bater papo e jogar sinuca”, diz.

Centro

O Café Bahia completa 82 anos este mês. João Inácio dos Santos, o João Bahia, abriu a casa em 1937. Ficava na Rua da Bahia, pertinho do extinto Cine Metrópole. Em 1970, mudou-se para a Rua Tupis, onde permanece até hoje. Juscelino Kubitschek e o compositor Rômulo Paes – autor da música Rua da Bahia e do verso “minha vida é esta/ subir Bahia/ e descer Floresta” – batiam o ponto lá. “Me lembro bem do presidente JK. Ainda era criança e o vi de terno, tomando cafezinho”, recorda o proprietário Ronaldo Lúcio dos Santos. O Café Bahia serve cervejas artesanais (a partir de R$ 9,90) e tradicionais (a partir de R$ 8,80), além de cachaças de várias marcas. De segunda a sábado, tem almoço, que pode ser prato feito (a partir R$ 13,90) ou self-service (R$ 42,90 o quilo).

Ronaldo fez algumas modificações no cardápio, introduzindo os bolinhos de carne e de bacalhau. Conta que a clientela aprovou a língua, a dobradinha, a moela, a batata e o miolo. Além do menu, o Café Bahia tem outra “atração”: o garçom Edson “Passarinho” Alberto Pio, que trabalha lá há 40 anos e diverte a clientela imitando pássaros brasileiros.

Renato Caldeira, do Café Nice, já vendeu três mil cafezinhos por dia (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)



Sem bebida alcoólica

O Café Nice, na Praça Sete, foi fundado por Heitor Resende em 1939. Parada obrigatória de políticos durante campanhas eleitorais, já recebeu JK, Lula, Dilma Rousseff, Itamar Franco, Tancredo Neves e Michel Temer, entre tantos outros, cujas fotos estão espalhadas pelas paredes. A casa serve café passado no coador (R$ 2,50), salgados (a partir de R$ 4,20), sanduíches (a partir de R$ 5,50) e omelete (a partir de R$ 12). “Não vendemos bebidas alcoólicas, apenas café, suco, água, vitaminas, refrescos e refrigerantes”, informa Renato de Moura Caldeira, que comanda o café com o irmão, Tadeu. Sinal dos tempos, a tabacaria está acabando. “As pessoas quase não fumam mais. Minha linha de isqueiros se resume a cinco peças, mas ainda vendemos cachimbos, fumo e canetas. O forte aqui é o café, o pão de queijo e os salgados”, conta Renato. “Já chegamos a vender cerca de três mil cafés por dia”, orgulha-se.

A casa das mulheres

O Tip Top, fundado em 1929 pela tcheca Paula Huven, está festejando seus 90 anos. Um dos restaurantes mais antigos de BH, sempre foi administrado por mulheres. Tudo começou na Rua Espírito Santo, no Centro. Em 1971, a casa se transferiu para a Rua Rio de Janeiro, no Bairro de Lourdes. O Tip Top introduziu em BH a gastronomia alemã. Em 1980, Tereza Recoder assumiu o restaurante, transferido em 2013 para Ludmila Carneiro e Cleusa Silva. “Dona Paula trouxe muita novidade para BH. O mineiro não conhecia bem os embutidos e produtos importados. O Tip Top era também um empório, tinha produtos diet. Ela inventou o refrigerante artesanal. Servia um tipo de refresco que se tornou tradição aqui”, revela Ludmila.

“Há clientes que frequentam o restaurante há mais de 50 anos. Vinham com os pais e hoje vêm com os filhos”, conta Ludmila. Mas o cardápio se adaptou a novos hábitos. “Antes, as porções eram grandes, serviam a família. Hoje, são menores, com pratos individuais. Incluímos opções mais leves, pois a gastronomia alemã é pesada. Não podemos nos esquecer dos vegetarianos”, explica . Entre as pedidas tradicionais, destacam-se joelho de porco (R$ 79), salada de batata (R$ 27), roastbeef (R$ 49), filé à parmegiana (R$ 49), filé à milanesa (R$ 49), chucrute (R$ 16) e kassler (R$ 51). “Nenhum deles pode sair do cardápio”, concorda Ludmila Carneiro.

Fonte: Portal Uai

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