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Lituânia inspira a Europa: Vilnius transforma-se em cidade-esplanada para apoiar cafés e restaurantes com autorização para usar espaço público, desde que cumpra as regras de segurança

Parte do plano: a reabertura de restaurantes e cafés, com possibilidade de usar as esplanadas desde que sob regras rigorosas de segurança e distanciamento mínimo entre clientes.

A capital lituana avança com abertura da cidade à restauração: cafés e restaurantes podem usar espaço público predeterminado por toda a cidade em nome do distanciamento social em tempo de covid-19. A Lituânia foi dos primeiros países a avançar com estado de emergência, logo no final de Fevereiro, e dos que, até agora, melhor resistiu ao surto.

“Vamos ajudar a manter Vilnius viva!” É o slogan do presidente da câmara local, Remigijus Šimašius, para os planos da reabertura possível após o período de isolamento social que conseguiu colocar o país entre os que melhor reagiram e controlaram o surto de covid-19 no mundo. Parte do plano: a reabertura de restaurantes e cafés, com possibilidade de usar as esplanadas desde que sob regras rigorosas de segurança e distanciamento mínimo entre clientes.

Problema apresentado pelos proprietários de espaços de restauração: os espaços de esplanadas legais e concessionados são, em grande parte dos casos, pequenos espaços e, para cumprir as regras, muitos temiam só poder ter uma ou duas mesas. Como apenas é permitido servir clientes no exterior (para já) com as mesas a dois metros umas das outras, os empresários concluíam que talvez não valesse a pena reabrir, especialmente no centro histórico — que é Património Unesco —, de corte medieval, onde as ruas são, naturalmente, estreitas e algo labirínticas como manda a tradição

Solução rápida e certeira apresentada pelo presidente Šimašius: abram-se ruas, praças e largos às esplanadas. “Abrimos desde já todos (sic) os espaços públicos da cidade às esplanadas dos cafés: praças, largos, ruas; os cafés perto destes locais poderão colocar mesas sem qualquer taxação ou licença paga durante toda a temporada e assim conseguirem trabalharem.”

Entretanto, pelo menos para já, segundo a Euronews, foi confirmada a abertura de 18 áreas públicas. Mas não são de esperar problemas noutros locais. “Basta abrirem, trabalharem, manterem os postos de trabalho e manterem Vilnius viva”, anunciou o autarca no seu Facebook a 24 de Abril, numa mensagem que foi recebida com muitos aplausos (mais de dez mil gostos só no post, agora com repercussão internacional global, muito graças ao destaque dado pela CNN).

Os restaurantes são convidados a se inscreverem num site dedicado à quarentena (chama-se Karantinas mesmo, aqui), mas sob um aviso: “Obviamente, a prioridade é a segurança de todos nós.”

Ao mesmo tempo foi lançado um projecto (a exemplo de alguns que já existem em Portugal) para os clientes apoiarem os seus locais de preferência (Talonai, quem quiser espiar aqui) com aquisição prévia de serviços, comidas, bebidas (vouchers que poderão ser usados depois).

“Isto ajudará os sítios a sobreviverem. Eu próprio já fiz isto com o meu bar local”, diz Šimašius para dar o exemplo em forma de incentivo. “Celebraremos todos juntos quando isto terminar.” Em simultâneo, há mais “liberdades”, como para as chamadas ‘rulotes’ de comida rápida, que podem estacionar onde bem lhes aprouver sem precisarem de licença antes (desde que tenham todas as licenças em dia). Em todo o lado, menos no centro histórico, sublinha-se nas directivas. “Em breve será publicado um novo regulamento para que tudo fique arrumado.”

A mensagem de Šimašius termina, porém, com um pedido em jeito de advertência, decerto já a pensar nos críticos da medida. “Pedimos a todos os residentes da cidade apenas uma coisa”, diz, “que sejam mais tolerantes”. “Se houver alguma mesa de café ao ar livre no seu caminho, a pé ou de bicicleta, não fique com raiva, veja que essa mesa está a ajudar alguém a manter o seu emprego.”

Aos restaurantes, o autarca pede que “garantam distâncias seguras”. Às autoridades e fiscais “para falarem primeiro, em vez de procurarem logo formas de punirem pelo mais pequeno erro”. E, como qualquer responsável que sabe que está a deixar muitos clientes satisfeitos (mesmo que alguns insatisfeitos, claro — nomeadamente as associações de profissionais da restauração — termina com um pacificador: “Obrigado pela sua compreensão.”

Fonte: Público

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