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De acordo com Marcos Stahl, consultor de negócios do Sebrae, as "dark stores" prometem redução de custo e tempo em sua implantação e operacionalização

Foto: ISTOCK

A ideia de um motoboy trazendo uma pizza quentinha sempre esteve atrelada ao delivery. Mas o setor ganhou outros desdobramentos com o avanço dos aplicativos de entrega e as altas demandas. Com a pandemia de covid-19, o funcionamento das "dark kitchens" ficou em evidência. Agora, as "dark stores", que vendem de tudo um pouco, também ganham mais visibilidade.

A primeira trata-se da "cozinha oculta", definida como um restaurante sem mesas, sem atendimento em balcão, tampouco garçom ou fachada. Elas funcionam apenas para o preparo de alimentos para entregas. A segunda envolve "lojas ocultas", que são pequenos galpões repletos de produtos com a promessa de entrega rápida — em 15 minutos, por exemplo — nas imediações de um bairro.

Assim como as "dark kitchens", as lojas ocultas não existem aos olhos do consumidor no mundo físico e dependem de vendas online em sites e apps de entrega.

De acordo com Marcos Stahl, consultor de negócios do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), essa proximidade e a característica de "loja de bairro", focada em produtos mais consumidos na região, permite, inclusive, a compra virtual e a retirada do produto pessoalmente por parte do consumidor, reduzindo ainda mais o tempo de espera e custos.

Ultra-fast delivery é para quem não pode esperar

Uma das empresas que investiu no mercado das "dark stores" no Brasil é a startup Daki, plataforma cujo aplicativo e as lojas são próprios, não envolve fornecedores externos. O seu objetivo é oferecer o que chama de ultra-fast delivery, entrega rápida de produtos normalmente encontrados em supermercados.

Lá, é possível encontrar itens de mercearia, hortifrúti, congelados, padaria, bebidas, tabacaria, limpeza, farmácia e pets. Rafael Vasto, presidente-executivo e um dos fundadores da Daki, explica que as lojas neste formato não chegam a ser um grande galpão de distribuição, comum a grandes varejistas. É algo menor.

Por essa característica, os serviços podem ser pulverizados pela cidade, em locais mais próximos do consumidor. "As dark stores viabilizam eficiência e assertividade para o modelo de negócio, que tem um raio de entrega reduzido a poucos quilômetros, com estoque e entrega próprios", explica Vasto.

A Daki possui mini-centros de distribuição em São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo o executivo, ela está presente em vinte bairros da capital paulista e tem previsão de expansão para mais de 100 "dark stores" no país em 2021. A primeira unidade no Rio foi inaugurada no último dia 22, após a startup receber aporte de US$ 170 milhões

É possível encontrar serviços oferecidos por dark stores em aplicativos populares como Rappi, iFood e Marcado Livre, mas são empresas terceiras usando as plataformas mais populares.

Dark store é mais barata de montar

O consultor Marcos Stahl explica que as "dark stores" não exigem o mesmo nível de planejamento e sua implantação e operacionalização já promete redução de custo e tempo.

"O armazém que é utilizado pelas dark stores necessita de menos adequações e decoração em comparação com qualquer loja habitual. Do ponto de vista financeiro, é um processo mais vantajoso, pois com investimento inferior, custos operacionais mais simples e a localização que não precisa ser cara, levam muita vantagem ao investidor", diz Stahl.

O desafio na hora de montar e trabalhar com as lojas ocultas é que, para conseguir ganhar competitividade, o negócio precisa ser capaz de processar um grande número de pedidos online, 100% dependente de tecnologia.

Já os custos de entrega costumam ser mais baratos, em função da distância e dos volumes dos pacotes. Quem já é proprietário de uma loja tradicional, mas não tem grande movimento, ainda pode trabalhar de forma híbrida, entre vendas presenciais e e-commerce, completa.

Quem deseja seguir nesse caminho, de acordo com o consultor do Sebrae, é muito importante conhecer as ferramentas de marketing digital para divulgação dos produtos e relacionamento com os clientes.

"Conhecer detalhadamente o seu cliente, suas preferências e as necessidades da região pode facilitar na escolha do mix de produtos ofertados e dos processos internos, assim como na administração dos estoques. O empresário precisa contar com um software que ajude no gerenciamento do seu armazém e possa processar vendas e pedidos", ressalta.

Modelo já se espalhou pelo mundo

No mercado financeiro, o modelo também é conhecido como q-commerce. O "q" significa quick (rápido, em inglês) e tem atraído uma quantidade significativa de financiamento.

A empresa espanhola de delivery Glovo arrecadou US$ 530 milhões em financiamento, marcando a maior arrecadação de fundos para uma startup na história da Espanha. Embora a empresa prometa entregas em até 29 minutos, em muitos mercados já leva em média de 10 a 15 minutos, e o objetivo é tornar esse curto tempo no serviço a regra em todos os lugares em que a startup atua.

Enquanto isso, a turca Getir chegou a uma avaliação de US$ 2,6 bilhões, e a Gorillas, com sede em Berlim, de US $ 1 bilhão. Por aqui, para viabilizar a loja piloto em Pinheiros e validar o modelo no mercado brasileiro, a Daki recebeu investimento anjo de R$ 2 milhões. E foi expandindo com o tempo.

Nos Estados Unidos, quem é popular nesse setor é a JOKR, fundada por Ralf Wenzel (o mesmo fundador do Foodpanda, que mais tarde se fundiu com a Delivery Hero), e também promete a entrega de produtos de conveniência em 15 minutos ou menos, sem pedidos mínimos.

Com quatro meses de operação, a Daki acaba de se fundir com a JOKR, que tem o mesmo modelo de negócios e atualmente opera em países como Estados Unidos, México e Peru.

Fonte: Tilt Uol

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