A inflação da alimentação no domicílio fechou 2025 em 1,43%, o menor patamar desde 2023, enquanto os preços da alimentação fora do lar avançaram 6,97% no acumulado do ano, segundo dados do IPCA/IBGE destacados em reportagem da Folha de S.Paulo. A diferença reflete, de um lado, a safra recorde de grãos e o dólar mais baixo, que aliviaram os preços nos supermercados, e, de outro, o aumento dos custos do setor de serviços, especialmente em bares e restaurantes.
De acordo com analistas ouvidos pela Folha, a retomada do mercado de trabalho pressiona a inflação fora do domicílio, já que salários, aluguel, energia e outros custos operacionais têm peso relevante na formação dos preços. Esse movimento ocorre mesmo em um cenário de maior oferta de alimentos, pois a alimentação fora do lar é considerada um serviço intensivo em mão de obra.
A Abrasel destaca que, apesar da pressão de custos, a demanda por bares e restaurantes seguiu aquecida ao longo de 2025, permitindo algum ajuste nos preços. A entidade observa que, durante a pandemia e nos anos seguintes, muitos estabelecimentos evitaram repassar integralmente os aumentos de custos ao consumidor. A análise também aponta mudanças no padrão de consumo, com alta mais acentuada nos lanches do que nas refeições completas, além de uma expectativa positiva para 2026, sustentada pelo calendário de eventos e pela continuidade do consumo fora do lar.