A proposta de reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas e acabar com a escala 6x1 preocupa o setor de alimentação fora do lar, um dos mais intensivos em mão de obra. Em entrevista ao Estadão, o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, afirma que a medida pode gerar aumento de preços, redução de dias de funcionamento e fechamento de estabelecimentos, sobretudo em regiões de menor renda. Segundo ele, restaurantes precisariam reajustar os preços em cerca de 7% para compensar o aumento da folha salarial.
Solmucci avalia que o alto apoio popular à proposta pode cair à medida que a sociedade compreenda seus custos. “O desafio nosso, como sociedade, é levar luz ao debate, deixando claro o custo que existe em decidir por essa nova escala”, afirmou. Para a Abrasel, a adoção da mudança sem estudos de impacto e em ritmo acelerado tem viés eleitoral e ignora efeitos sobre serviços que precisam funcionar todos os dias, como bares, restaurantes e clínicas.
O presidente da entidade diz que a Abrasel não é contrária ao debate sobre redução da jornada, desde que haja transição gradual e liberdade para organizar escalas, sem a proibição do modelo 6x1. Na avaliação do setor, a medida pode concentrar empregos em áreas mais ricas e precarizar a oferta de serviços nas periferias, ampliando desigualdades.
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