Dos sabores que saem da cozinham ao décor, tudo conta para fazer com que a experiência de comer fora seja única. No ultimo ano, foram inaugurados em Belo Horizonte (MG), projetos que chamam a atenção tanto pelo cardápio quanto pela arquitetura.

É o caso da Ofélia, recém inaugurada casa de drinks. “O ponto de partida para o projeto arquitetônico da casa foi a personalidade da própria Ofélia, personagem que imaginamos a partir de toda a narrativa construída junto aos sócios e à equipe da Alpendre, a qual se incumbiu do desenvolvimento do projeto de branding” explica Lucas Durães, arquiteto e fundador do Guaja, responsável pela estruturação do modelo de negócios, desenvolvimento do branding e projeto arquitetônico da Ofélia.

Ofélia, casa de drinks /Foto: Bambinas

“Ofélia é para nós uma mulher irreverente e sábia; criativa e sem medo e arriscar. Esotérica, tem no tarô e na combinação de ingredientes uma válvula de experimentação para tocar a si mesma e aos outros”, conta.

Por isso, os cômodos da casa buscam suscitar nos frequentadores do bar essas sensações. A irreverência da cama e dos abajures de cabeça pra baixo; a feminilidade ousada do lustre de pérolas; a ausência das roupas do closet e as memórias de uma vida de muitas cidades e muitos namorados.

Já na Cozinha Santo Antônio ideia foi explorar a relação da comida com a história, que é parte da identidade do restaurante. “O imóvel onde estamos é provavelmente da década de 40. Fomos descansando as paredes pra ver as camadas e as texturas.

Cozinha Santo Antônio, relação comida coma história /Foto: Vania Cardoso

O chão também estava converto com uma cerâmica e fomos retirando com todo o cuidado pra preservar o piso original. Inclusive, mesmo antes de fechar o aluguel fizemos uma pequena “escavação” pra ver se o piso anterior continuava lá” conta Ju Duarte, chef e proprietária.

A ideia central é deixar à mostra as marcas do tempo. Mas sem nostalgia. A escolha do armário suspenso, a cozinha à vista com os equipamentos modernos ajuda a dar um contaste e revelar que embora o passado, a memória e a tradição estejam presentes eles estão ali para iluminar o presente e o futuro. “Ele não nos aprisiona, pelo contrário, nos dá raízes pra seguir em frente”, completa ela.

Ser uma cozinha aberta para o salão é outra característica muito forte do projeto. Reflete o desejo de interação com as pessoas que estão no salão, e a transparência do serviço. Está tudo ali à mostra.

O estilo arquitetônico tem também inspiração no estilo wabi sabique valoriza justamente a transitoriedade das coisas, a intimidade, a beleza do tempo que passa. Isabela Vecci é a arquiteta que assina o projeto, amiga desde a adolescência da chef.

Memórias também fazem parte do Quina, restaurante projetado pelo arquiteto Cristiano Sá Motta que assina outros projetos recentes da capital como o Ninita, do chef Leonardo Paixão. O espaço, que ocupa três andares em um prédio da esquina da Avenida Prudente de Morais com Contorno em BH era literalmente uma grande caixa preta.

Antes da reforma o Quina era uma grande caixa preta/ Foto: Lara Dias

É que por lá funcionou uma boate. Ali, o trabalho foi para literalmente abrir a casa e deixa-la aconchegante e cosmopolita, exatamente como sua proposta gastronômica. “Usamos muito material reaproveitável, que além de sustentável, traz personalidade ao espaço” conta.

E personalidade é que não falta a esses três estabelecimentos!

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