As múltiplas afinidades entre os negócios da alimentação fora com o plano de se contratarem jovens inexperientes e de baixa escolaridade

Entre todos os setores da atividade econômica, os estabelecimentos da alimentação fora do lar são os que têm as portas mais abertas ao primeiro emprego, diz Paulo Nonaka, presidente do Conselho de Administração Nacional da Abrasel. Ele antevê que, com a esperada aprovação pelo Senado da Medida Provisória do Programa Verde e Amarelo, os bares, restaurantes, cafés, bistrôs e lanchonetes ficarão, em seu conjunto, ainda mais destacados como um dos maiores empregadores de jovens no país.

Nonaka diz que o setor é o primeiro degrau da ascensão social e profissional de jovens, sobretudo os que vêm das famílias de baixa renda. O espectro desses entrantes no mercado de trabalho compreende, como acrescentou, desde os estudantes do ensino médio e das universidades, a adolescentes de reduzida escolaridade, oriundos de famílias pobres que vivem nas periferias urbanas ou que emigraram para as capitais, oriundos das regiões interioranas do Brasil.

Os negócios da alimentação fora do lar formam, como diz, o “setor mais inclusivo” entre todos os segmentos empresariais do país. “Quando falamos de um capitalismo aberto e vigoroso, que se pulverize na mais acentuada concorrência, que seja realmente inclusivo nas oportunidades de trabalho aos jovens e também aos idosos, espalhando por todo o território nacional a geração de emprego e renda, estamos claramente nos referindo ao setor de bares e restaurantes”.

A Carteira Verde e Amarela, segundo ele, surge como uma proposta do Ministério da Economia “em um momento muito oportuno, quando começa a se abrir a perspectiva de um crescimento em novas bases, criadas pelas reformas estruturantes iniciadas com o ajuste fiscal na Previdência”. Acrescentou que o programa do primeiro emprego, voltado principalmente à base da pirâmide socioeconômica, responde a uma expectativa do momento, em que “a roda da economia pouco a pouco começa a girar de modo sustentável”.

Com este tema, os editores da revista B&R solicitaram a personagens que estão à frente das seccionais, regionais e dos conselhos superiores da Abrasel, avaliações sobre o Programa Verde e Amarelo, cujo teor está contido na Medida Provisória já encaminhada ao Congresso Nacional.

A seguir, a série dos depoimentos de integrantes do mundo Abrasel, sendo o primeiro deles da autoria do empresário gaúcho Pedro Hoffmann, que antecedeu Paulo Nonaka na presidência do Conselho de Administração Nacional da Abrasel.

Pedro Hoffmann, do Conselho de Administração Nacional da Abrasel

“Espero que o Congresso Nacional consiga entender que esse programa chega no momento certo, no ano de crescimento da economia. Com a queda da Selic para 4,5% (e acredito até que cairá um pouco mais, aí para uns 4%), estimula-se o empreendedorismo. As pessoas serão levadas a investir para melhor rentabilizar o seu dinheiro. E - havendo o impulso da reforma tributária -, a construção civil, o comércio varejista, o agronegócio, o turismo (com destaque para a hotelaria), e, é claro, a alimentação fora do lar, tudo isso deslanchará. Vai se abrir espaço, também, para a mão de obra das tarefas mais simples (como a de embalador de supermercado), para o antigo office-boy, para o colaborador dos serviços gerais, o servente de obra, o jovem que pode se empregar na colheita, e assim por diante. O agronegócio é vasto para a contratação. Há um leque muito grande de oportunidades”.

"São vagas que não precisam de muito treinamento e estudo. Mas, nelas os jovens vão dando os primeiros passos, aprendendo, sendo treinados nas demandas do dia a dia. Uma vez dentro da empresa, ou mesmo em uma propriedade rural, o jovem pode despertar seu interesse por alguma profissão. Ele começa a entender como aquele funciona, e, de repente, se sente apto para fazer alguma coisa específica. É o que acontece no setor de bares e restaurantes. O jovem entra nos serviços gerais, e, depois, vai aprendendo na cozinha. E, se for mais extrovertido, vai até para o salão”.

“Como o Congresso Nacional tem de aprovar a Medida Provisória, para que se efetive o Programa da Carteira Verde e Amarela, isso precisa acontecer antes do recesso de julho, porque se intensificará a campanha das eleições municipais, que desviarão as atenções dos parlamentares. Um programa de primeiro emprego, em larga escala, será muito positivo até mesmo para começarmos a virar a página de uma cultura passiva, que predomina no ambiente brasileiro de trabalho. É bastante comum o colaborador só se mexer quando provocado, até por receio de reprimendas. Mas, há os manemolentes, que ficam à espera de elogios para qualquer coisa que façam. Ou ficam dependendo de receber ordens do chefe. Os chefes precisam lhes dar a liberdade, também incentivando-os a se mexerem, a se movimentarem por si só, a serem mais proativos. É muito diferente da cultura americana, nos ambientes de trabalho”.

“Nos Estados Unidos, o trabalhador não fica um tempão fazendo algo que pode ser resolvido rapidamente, até porque não tem tanto receio de errar. Só erra quem faz. Assim, com mais incentivo e liberdade de agir, vamos diminuindo a distância entre a produtividade brasileira e a americana, que é quatro vezes maior do que a nossa. A Carteira Verde e Amarela pode ajudar a criar um renovado ambiente, levando essa geração de jovens, que nunca teve a oportunidade de um trabalho regular e formal, a protagonizar um ritmo mais condizente com a dinâmica dos tempos em que vivemos. A Carteira Verde e Amarela com certeza será muito boa para eles, para os empreendedores do varejo, do turismo, da agropecuária, da construção civil, do nosso setor, e, obviamente para o país como um todo”.

“A Carteira Verde e Amarelo é uma iniciativa com a cara do Brasil novo, mais simples para se empreender e com mais qualidade de vida para os cidadãos. Por meio desse programa, o governo federal está criando um ambiente favorável à contratação dos jovens, com foco no primeiro emprego. Essa empreitada tem muita convergência com a missão da Abrasel, que busca construir um país mais produtivo, desatando-se as amarras que impedem o nosso desenvolvimento. Atualmente, há milhares de jovens ociosos e ansiosos pela oportunidade de obterem uma renda mais segura. Isso sem dúvida contribuirá para se manter girando a roda da economia”.

Augusto José de Carvalho, presidente da Abrasel em Sergipe

“O governo acertou quando fez essa nova forma de contrato. Por intermédio dele, geraremos mais empregos, com segurança jurídica, transparência entre empregadores e empregados. Isso porque, entre outras alterações, a Medida Provisória permite negociações individuais entre as partes, o que certamente gerará maior celeridade no processo. Essa nova forma de contrato combina bem com perfil do mercado de alimentação fora do lar. Sempre foi e continua sendo uma bandeira da Abrasel, que representa o setor que mais emprega no Brasil e também é a porta de entrada aos primeiros empregos, destacando-se como uma protagonista de um país mais fácil de empreender e melhor de se viver”.

Bobby Fong, membro do Conselho Nacional da Abrasel

"Concordo que o mais grave problema nacional seja o desemprego. Em um país tão vasto e com tanto para ser feito, ter 12 milhões de pessoas sem trabalho é realmente um paradoxo gigante. Mesmo considerando o baixo nível educacional/profissional e o avanço do uso intensivo de tecnologia nas cadeias produtivas, acho que existe um grande contingente de recursos humanos que poderia ser melhor aproveitado nas nossas empresas. Nestes 30 anos no setor de alimentação fora do lar, pudemos ‘fazer’ muitos profissionais que entraram como primeiro emprego nas empresas. O nosso setor sempre teve a característica de ser a porta de entrada para o mercado de trabalho a jovens e pessoas com pouca ou nenhuma instrução A Carteira Verde e Amarela será uma janela de oportunidade de via dupla: de um lado os interessados em trabalhar terão mais chances de serem empregados e, de outro lado, as empresas serão desoneradas de encargos trabalhistas, e assim poderão investir mais na qualificação desses novatos.


Deborah Kemmer, presidente da Abrasel no Noroeste do Paraná

“Fomentar o Programa Verde e Amarelo é acreditar no potencial do Brasil, é ser responsável pela empregabilidade de milhares de pessoas. A desburocratização e geração de emprego, por meio do projeto, vão ajudar, e muito, na sustentabilidade do mercado. Além disso, muitas empresas serão beneficiadas, visto que a qualificação será realizada durante o contrato. Com esse piloto nacional em mãos, vamos trabalhar para servir de modelo em nossa região, apresentando às demais entidades, e a toda sociedade civil organizada, a importância de termos mais jovens economicamente ativos e prontos para atuar no mercado de trabalho. Será bom para o empresário e para o empregado. Nosso ramo é forte, unido, sempre em busca de ideias para que o Brasil se consagre internacionalmente, diante da riqueza gastronômica e cultural dos quatro cantos do país. E é com esse grande potencial em mãos que temos que fortalecer, ainda mais, a economia. Precisamos de ações que gerem uma mudança de comportamento no empresariado, que precisa investir no desenvolvimento profissional do brasileiro. Sempre ouvimos que não há mão de obra qualificada, mas o que realmente fazemos para modificar esse panorama? Quais são as ações de responsabilidade social que abraçamos para que o Brasil avance economicamente? Unidos em torno do Programa Verde e Amarelo, com certeza daremos uma resposta muito positiva e edificante a essas perguntas”.


Fábio Bertolucci, presidente da Abrasel no Triângulo Mineiro

“Abraçar o Programa Verde e Amarelo precisar ser, ao longo de 2020, uma das principais bandeiras do setor da alimentação fora do lar. Gerar novos empregos, reduzir a informalidade, promover a diversidade no sentido amplo e, principalmente, estimular a capacitação e qualificação a tantos adolescentes e jovens adultos marginalizados. Que nossas casas (sempre geradoras de empregos e exemplos da ‘não-exclusão’) possam ser porta-vozes desse programa, tornando-o real e possível, estimulando os governantes a sempre pensarem no social e no crescimento do empreendedor, com redução de custos e fomento de novas oportunidades de trabalho”.

Fernando Popó, presidente da Abrasel no Rio Grande do Norte

“O Programa Verde e Amarelo é uma ótima medida com vistas à empregabilidade. Encoraja o empregador, o jovem/adulto (que é um marinheiro de primeira viajem ou com pouca experiência) a buscar as oportunidades. Fatores sociais e de gestão comprovam a realidade em que vivemos. Navegando em um mundo mais enxuto, com menos manufatura, com mais processos autônomos, e uma vasta presença de leis conservadoras. Essa proposta dá esperança a ambos (ao empregador e ao empregado), trazendo equilíbrio a quem navega. Propicia legítimos estímulos, como a diminuição da alíquota relativa do FGTS para novos contratos, e, ainda, a redução pela metade da multa rescisória. Também propicia a garantia de todos os direitos ao jovem ativo, com menos contribuições sociais ao empreendedor. Porém, gera menos arrecadação a quem nos ensina e apoia, que é o Sistema S”.

Marcelino Lopes, membro do Conselho Fiscal Nacional Abrasel

“Certamente, seguindo a mesma linha do que aconteceu com o contrato intermitente, serão os bares e restaurantes os maiores propulsores dessa energia, na retomada da criação de novas vagas de empregos no país. Esse Programa Verde e Amarelo certamente será mais uma grande alavancagem para a solução do grave problema do desemprego, a nível nacional. Para que a nossa Abrasel mais uma vez seja protagonista de uma ação inovadora, ousada e eficaz, sugiro que façamos nacionalmente, em primeiro plano (e em seguida, regionalmente) uma parceria para geração de emprego e renda, por meio de ações conjuntas com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) e também com o Sistema Nacional de Emprego (SINE)”.

Max Fonseca, membro do Conselho de Administração Nacional Abrasel

“O Contrato Verde e Amarelo vem ao encontro dos anseios da Abrasel e de seus associados. Somos o grande empregador de mão de obra no país, e nossa peculiaridade se encaixa perfeitamente nessa nova modalidade de contratação. Ninguém mais tem a nossa capacidade de absorver mão de obra com as características que o projeto contempla: jovens, sem formação específica e que buscam alternativas de se inserirem no mercado de trabalho. Uma ótima oportunidade que o setor tem, e que ajudará o país a atender uma juventude ansiosa por oportunidades. É uma excelente opção ao empresário, que muitas vezes se vê impedido de crescer e ampliar os negócios, em função dos altos custos trabalhistas”.

Neide Lisboa, membro do Conselho Fiscal Nacional Abrasel

“Esse programa chega em boa hora. Isto é, no momento em que se inicia um movimento sustentável de crescimento da economia. A Carteira Verde e Amarela tem todo o apoio do setor de bares e restaurantes, sem dúvida alguma. Traz inúmeras vantagens tanto para os trabalhadores do primeiro emprego quanto para as empresas. E a sociedade como um todo também ganha porque se promove a geração de emprego e renda a jovens de famílias de poder aquisitivo extremamente reduzido”.

Newton Pereira, membro do Conselho de Administração Nacional Abrasel

“O Programa Verde e Amarelo chega no momento em que a economia começa a se aquecer. Portanto, se o mercado reage à grande crise em que estávamos mergulhados, e os clientes retornam em maior número aos nossos estabelecimentos, não há dúvida que, com as condições formalizadas nesse programa inovador, o setor da alimentação fora do lar absorverá considerável parcela das estimadas 1,8 milhão de vagas, isso bem antes do prazo limite previsto na Medida Provisória. As condições são extremamente vantajosas a quem emprega, reduzindo em até 34% o custo, em relação ao regime normal de contrato da CLT. Vejo, no entanto, para que a meta do número de vagas seja alcançada, há dois desafios a serem vencidos. O primeiro, como já mencionei, é que haja uma retomada duradoura da economia, uma vez que o empresário só contrata se, efetivamente, houver a necessidade de mais funcionários. O segundo desafio é ainda mais ousado. Falo aí da falta de qualificação desses jovens, que nunca tiveram Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) assinadas. Por isso, precisa-se pensar até mesmo em uma parceria com o SESC/SENAC, que tem tanta capilaridade quanto a Abrasel, com vistas à aplicação de cursos rápidos nas áreas afins do setor: auxiliar de cozinha, serviços gerais, cozinheiros, barman, churrasqueiro, garçons etc. Posso imaginar a dificuldade de uma parceria dessas, inclusive porque o Programa Verde e Amarelo exclui o pagamento ao Sistema S. Por outro lado, essa parceria seria uma grande demonstração do Sistema S em favor da retomada do emprego aos brasileiros. Portanto, não tenho dúvida de que, com as condições postas pelo programa Verde e Amarelo, o governo brasileiro converge com a Abrasel no sentido de se construir um país mais fácil de se empreender e melhor para se viver”.

Percival Maricato, presidente da Abrasel em São Paulo

“É verdade que no emprego pelo Programa Verde Amarelo o trabalhador tem ganhos reduzidos em relação ao emprego normal, como é verdade que, se assim não for, o emprego poderá sequer existir. Fiquemos com a Carteira Verde Amarela provisoriamente, pensando em como substituí-la no futuro por uma outra bem melhor. Pois é verdade, também, infelizmente, que, além de pertencermos a um país pobre, temos em seu interior uma das mais perversas diferenças de distribuição de renda. Bom seria darmos ao trabalhador, além do possível com a Carteira Verde Amarela, tudo o mais que ele tem direito: justiça social, saúde, educação, moradia, segurança, alimentação decente etc, como consta da Constituição da República. Enquanto não for possível, fiquemos nessa pequena concessão, lutando incessantemente, no entanto, para termos um país mais justo, desenvolvido, democrático, ético, sustentável, soberano, onde carteiras verde amarelas sejam coisa do passado”.

Rosane Oliveira, presidente da Abrasel no Pará e membro do Conselho de Administração Nacional

“Vejo como imensa a importância da Carteira Verde e Amarela para os bares e restaurantes, porque o setor é quase o único a regularmente assumir esse tipo de contratação; isto é, de jovens que ingressam pela primeira vez no mercado de trabalho. O programa está muito bem modelado, porque as empresas contratantes desses jovens inexperientes serão de alguma forma compensadas pelo seu esforço de pacientemente prepará-los para as funções que venham a exercer, com a redução dos encargos trabalhistas”.

Thiago Falcão, presidente da Abrasel em Alagoas

“A chegada do Verde e Amarelo ocorre em um momento muito importante de retomada do crescimento de nossa economia. Diminui a carga tributária desses novos contratados, dando-se mais confiança a nossos empregadores. Traz algumas barreiras que protegem a migração da mão de obra contratada para o novo modelo. Com isso, deveremos ter novos postos de trabalho preenchidos por jovens em busca de oportunidade do primeiro emprego. Estamos muito animados com a mudança, e esperamos uma resposta tão boa quanto foi a criação do trabalho intermitente. O Brasil começa a ter uma politica de empregos mais moderna, que trará muitos benefícios em um curto prazo”.

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