Segundo Abrasel, nova taxa Selic de 7,75% ao ano anunciada ontem pelo Copom pode aprofundar inadimplência das empresas. Índice é o indexador do programa de crédito para os micro e pequenos empreendimentos

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Nesta quarta-feira (27), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central definiu o aumento de 1,5% na taxa de juros básicas da economia, a Selic, saindo de 6,25% para 7,75%, maior número dos últimos quatro anos.

Isso torna o crédito mais escasso e difícil no momento em que as empresas estão descapitalizadas (mais de 30% das empresas ainda trabalham com prejuízo).

Além disso, por ser o indexador do Pronampe, eleva de imediatamente para 9% os juros cobrados pelo programa de crédito, contra os 3,25% que eram cobrados em 2020.

Para os empresários do setor de alimentação fora do lar, o novo índice aprofunda a crise, já que o setor apresenta alto nível de endividamento. Segundo pesquisa da Abrasel realizada em setembro, 56% dos empreendimentos têm hoje pagamentos em atraso.

Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, o novo percentual atinge duramente o setor, que já vem sofrendo com o aumento do preço de aluguel, alimentos, bebidas e energia.

“Por mais que a gente concorde com a necessidade da medida imposta pelo Banco Central, o aumento de 1,5% é brutal para o empresário e exige uma revisão do Pronampe. No início do programa, por exemplo, a taxa de juros era de 1,25% mais 2% da Selic, um total de 3,25% ao ano. Hoje o valor anunciado gera um impacto forte no endividamento. Agora o total das taxas do Pronampe chega a quase 9% para quem pegou empréstimo em 2020, um aumento no custo do dinheiro de 177%. É urgente tomar medidas para evitar a quebra das empresas, com prazos mais alongados de pagamento e a possibilidade de renegociar as taxas”, explica Solmucci.

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