"O Rio De Janeiro é a síntese do Brasil. Para onde o Rio for, o Brasil também vai" - afirma o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci

Por Valério Fabris

Foto: Danilo Viegas

A avaliação dele é a de que há uma conjunção de movimentos dos governos federal, estadual e municipal que, a partir da capital fluminense, projetarão a cidade e a nação a um novo tempo. “Estamos vivendo, com esse exemplo de entendimento mútuo, o momento de um ponto de inflexão muito favorável, começando a equacionar as questões-chave que há muitos anos tem travado a vida dos cariocas, da população fluminense e brasileira”.

Paulo Solmucci diz que um dos mais graves problemas nacionais, que vem se arrastando e se agravam durante mais de meio século é o do saneamento básico. “Chegamos a uma situação absolutamente inadmissível. Há 100 milhões de brasileiros sem acesso à coleta de esgoto, e 35 milhões que não são abastecidos de água potável. O leilão de privatização dos serviços de saneamento básico, realizado pela Cedae, foi um gigantesco sucesso”.

Isso tem em grande parte a ver com a “magnífica modelagem e estruturação” do leilão, realizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “É o maior projeto de infraestrutura em curso no Brasil. O resultado do leilão foi tão extraordinário que já se está formando uma fila de estados que, de repente, ficaram ansiosos para realizar os seus leilões o mais brevemente possível, com a mesma modelagem que o BNDES articulou para a Companhia de Águas e Esgoto do Rio de Janeiro, juntamente com o governo do Estado”, diz Solmucci.

Outra transformação que ele vem observando no Rio, e que, na sua opinião, acabará induzindo o restante do país a seguir na mesma direção, é a revitalização do Centro histórico da cidade. Atualmente, a região está com 500 prédios fechados, inteiramente vazios. O prefeito Eduardo Paes, assim que tomou posse, lançou o plano intitulado “Reviver Centro”, que, imediatamente, atraiu investidores do mercado imobiliário, interessados em reciclar prédios de escritórios, convertendo-os para edifícios residenciais ou de usos mistos (moradia e escritórios).

A Baía de Guanabara voltará a ter águas limpas, e o centro do Rio voltará a ser movimentado

“O declínio do Centro do Rio, bem como o declínio das regiões centrais da maioria das grandes e médias cidades brasileiras, começou nos anos 1970. Essas áreas foram perdendo moradias, e, as- sim, passaram a ter movimento apenas nos horários de expediente comercial. Esses núcleos urbanos se tornaram muito inseguros já a partir do entardecer. E, agora, na pandemia, até mesmo os escritórios desapareceram dos centros das cidades", relata o presidente da Abrasel.

A conclusão de Solmucci é a de que a Baía de Guanabara voltará a ter águas limpas e propícias até mesmo para os esportes náuticos; e o Centro da cidade, por sua vez, que está colado nela, terá o seu antigo movimento reavivado, dia e noite, repleto de moradias, energizando-se nas atrações de lazer e cultura, no funcionamento pleno de bares, hotéis e escolas. “É interessantíssima a convergência de ações dos governos federal, estadual e municipal que está conduzindo o Rio na direção do renascer da Cidade Maravilhosa. Isso é um fenômeno carioca que se espalhará pelo país inteiro”.

O ordenamento do comércio dos ambulantes é mais uma peça que se encaixa na nova escalada do Rio

Solmucci vê com muita satisfação que as peças se encaixam. Tanto é assim, enfatiza ele, que o “Rio começou, agora mesmo, a incrementar o emprego a partir da base da pirâmide socioeconômica, que são os bares e restaurantes, o varejo lojista, e, enfim, o amplo espectro do setor do comércio e dos serviços”.

O presidente da Abrasel saúda a iniciativa do prefeito Eduardo Paes de criar uma nova frente de geração de empregos formais com o reordenamento dos camelôs, por meio do recém-lançado programa “Ambulantes em Harmonia”.

Em entrevista à imprensa, Paes disse que, desta forma, quer que se proteja e se valorize a vida desses vendedores, criando-se, também, um ambiente em que os formalizados ambulantes tenham uma atividade harmoniosamente sintonizada com os lojistas. Os ambulantes estarão uniformizados, terão crachás com QR Code (contendo as informações da licença e dos produtos autorizados a vender), e receberão barracas padronizadas. “O Brasil”, acrescenta Solmucci, precisa ser o que se repete no mantra da Abrasel: um país mais simples para se empreender, e melhor para se viver”.

Em 2017, a cidade tinha 400 ônibus de BRT funcionando; mas ao reassumir a prefeitura só encontrou 140 deles

Quando a “cidade for o território da cidadania, a sua rotina cotidiana será mais marcada pela gentileza e pelo respeito ao bem público”, prognosticou Solmucci. Porém, fez a ressalva de que isso requer o exaustivo e inteligente trabalho de restruturação. É o que está ocorrendo, como resumiu, “no saneamento básico, na revitalização urbana das áreas centrais e nos bairros, na formalização e humanização do comércio ambulante, e na conscientização geral de que os equipamentos das cidades são um bem coletivo”.

Neste sentido, Eduardo Paes empenha-se em refazer o que se desfez. Quando deixou a prefeitura, no dia primeiro de janeiro de 2017, como ele mesmo relatou, a cidade dispunha de 400 ônibus de BRT. Ao reassumir o comando da gestão municipal, em janeiro deste ano de 2021, apenas 140 estavam funcionando. Foram vandalizados ônibus e estações. A prefeitura fez, no dia 23 de março, uma intervenção no consórcio privado que administrava o sistema do BRT. A intervenção durará seis meses, portanto até outubro, quando se concluirá uma nova licitação.

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