*Reportagem originalmente publicada na edição 109 da Revista Bares & Restaurantes veiculada em março de 2016

Pesquisa da Universidade de Oxford conclui que os bares de bairros criam coesão social e aumentam o bem-estar dos frequentadores

Por Valerio Fabris

“É oficial – é bom para você morar perto de um pub”. Assim, um dos principais jornais britânicos, The Telegraph, anunciou o resultado de uma pesquisa que comprova a importância dos bares de vizinhança na vida social e no bem-estar das pessoas. A maior parte dos jornais da Grã-Bretanha noticiou a conclusão do estudo dirigido por um dos mais respeitados especialistas na área dos relacionamentos sociais, o professor Robin Dunbar, chefe do departamento de psicologia da Universidade de Oxford.

A pesquisa foi realizada em novembro de 2015, mas as repercussões na imprensa inglesa continuaram se desdobrando em março deste ano. Os jornais – como o Metro, The Sun, Daily Mirror e Daily Express – qualificaram o estudo da Universidade de Oxford como uma confirmação do que toda a população britânica intuitivamente sempre soube. Por isso, a exemplo, de The Telegraph, outro jornal de larga circulação, o Metro, estampou no título o veredito: “É oficial: ter um pub por perto faz você mais feliz”.

E por que um pub perto de casa ou do trabalho torna a vida melhor? As conclusões foram unanimemente destacadas pelos jornais. Um pub na vizinhança propicia os seguintes benefícios: fortalece os elos comunitários, tira as pessoas da solidão do lar ou do escritório, substitui o mundo digital pelos encontros face a face, estimula os relacionamentos sociais e aumenta o prazer de viver. A pesquisa confirmou a percepção dos britânicos de que, em um ambiente acolhedor e amistoso, até mesmo a ingestão da cerveja se dá de forma mais moderada, habitualmente dentro do limite máximo para os que dirigem: 0,8 grama por litro de sangue (g/l).

O pub de bairros é uma instituição cultural na Grã-Bretanha. O nome vem de “public house”, um lar público. Caracteriza-se como um terceiro ambiente, que, ao mesmo tempo, é estabelecimento privado e, também, a extensão da casa de seus frequentadores. Daí por que a perpetuação da tradição dos pubs, como elos de coesão social e de bem-estar dos britânicos, é tema de preocupação por parte das personalidades do mundo acadêmico, como o conceituado o conceito professor Dunbar, e das lideranças comunitárias.

A valorização imobiliária tem provocado o aumento dos custos dos pubs, fazendo com que um crescente número deles venha fechando as portas nos últimos anos. Ao dar a notícia sobre o resultado do estudo da Universidade de Oxford, os jornais destacaram que, entre 1951 e 2014, o número de pubs na Inglaterra e no País de Gales caiu 29,3%, de 73.421 para 51.900. Como fecho da pesquisa, o professor Dunbar e sua equipe recomendam que os proprietários dos pubs e os planejadores urbanos examinem os meios de se viabilizar a sustentação financeira desses estabelecimentos, que têm nítidos atributos comunitários e de bem-estar, além de se constituírem em traço cultural da Grã-Bretanha.

Por se constituírem em ativos de valor comunitário (Assets of Community Value), as consequências sociais da perda desses locais devem, de acordo com as recomendações constantes do estudo, ser bem avaliadas. Como há uma vinculação entre pubs e cervejas, recomenda-se o corte de taxas e impostos incidentes sobre a cerveja e, igualmente, sobre a atividade comercial do próprio pub. Os cientistas sociais da Universidade de Oxford chamam a atenção para a necessidade de se neutralizar o disseminado uso de smartphones, por meio do revigoramento dos espaços de vizinhança, em que as pessoas se encontrem e conversem umas com as outras, em uma atmosfera de comunidade.

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