Aquela esperança de que, iniciando um novo ano, teríamos vida nova, não habitava no coração da maioria dos empresários e empregadores do setor de alimentação fora lar. A ainda mais dura realidade imposta pela pandemia em 2020 nos deixou com os pés bem firmados ao chão. Foram tantas notícias arrasadoras, de desemprego, portas fechadas, contas acumuladas, que só conseguimos desejar um respiro, um fôlego para alcançar a praia vivos.

Mas 2021 chegou, e com ele mais sapos para engolirmos. Ao contrário do que temos pedido ao poder público, principalmente o local (diálogo, estratégia em parceria, incentivo para nos mantermos de portas abertas), o que temos recebido de presente por baixo da porta são os pesados impostos de início de ano: IPVA, IPTU, reajuste de aluguéis, água, gás, combustível e energia elétrica, inflação dos insumos alimentícios.

No caso do Ceará, o mais recente anunciado foi o aumento na tarifa das passagens de ônibus. O reajuste, que varia entre R$ 0,15 e R$ 0,55, impacta também o bolso dos empregadores do setor de alimentação fora do lar, que já vêm lutando para sobreviver após mais de 10 meses de pandemia e seus efeitos desastrosos. O quadro se repete em outros estados e municípios. Em São Paulo, por exemplo, aumento de impostos estaduais sobre os insumos afetam não só o consumidor, mas também os bares e restaurantes.

Ficamos parados por meses no ano passado, estamos funcionando com grandes restrições, lutando para pagar a folha e evitar mais demissões e a lei que permitia suspensão dos contratos de trabalho e redução de salário já não tem mais seus efeitos. Poucos empreendedores tiveram acesso a crédito e já não sabemos de onde tirar recursos. Quem dera viesse, junto com as contas, um manual de sobrevivência ensinando a arcar com tantos custos, enquanto convivemos dia a dia com o fantasma de retrocedermos nas fases de abertura.

Importante lembrar que essa não é uma preocupação apenas do setor de alimentação fora do lar. Toda classe produtiva está sendo sufocada sem compaixão e não pode pagar essa conta sozinha, já não existe mais tanque reserva para ninguém.

Com o cenário que se mostra à frente, se o poder público jogar mais ônus nas costas da sociedade, a crise que se avista será sem precedentes, principalmente para um estado como o Ceará que depende tanto do comércio, turismo e setor de serviços. É preciso dividir essa bola com os governantes, pois jogo que se joga sozinho não tem vitorioso. O setor produtivo já não aguenta mais carregar o piano sem ajuda.

Taiene Righeto é presidente da Abrasel no Ceará

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