Nova tecnologia irá remodelar a forma como o seu negócio se envolve com clientes, equipe e fornecedores da cadeia de suprimentos

Boa parte do noticiário desta semana destacou o leilão do 5G no Brasil. Não é a intenção desta coluna discutir a tecnicidade da operação, para isso existe a mídia convencional. O consenso é que se trata de uma tecnologia que promete revolução em todas as áreas. Lemos sobre downloads ultrarrápidos, carros que andam sozinhos e vários aparelhos conectados entre si. Mas o que diabos seu bar ou restaurante tem a ver com isso tudo?

A resposta nua e crua? Tudo. A previsão de especialistas é que a revolução transformará desde grandes redes até pequenos restaurantes de bairro. Afinal, estamos falando de uma mudança que engloba não só as operações de salão, a cozinha, o delivery e a cadeia de suprimentos. A evolução permeará toda nossa cultura. Ou seja: envolverá também os hábitos dos seus consumidores. Mas calma, não é nada pra amanhã, pelo menos aqui no Brasil.

Obviamente não é a ideia aqui fazer um exercício de futurologia charlatã. É preciso ter cuidado com os 'gurus da verdade', mas podemos nos basear em mercados mais avançados para entender o impacto do 5G nos bares e restaurantes brasileiros. Até porque em alguns países, “o futuro já começou”.

Na China, por exemplo, a rede de restaurantes KFC lançou um novo esquema de food truck com carros autônomos 5G, que entrega comida sem interagir com um humano. Os carros autônomos elétricos permitem que os clientes selecionem o produto de sua escolha numa tela tátil e paguem digitalizando um código QR. Após o pagamento a porta é aberta para que o cliente possa retirar sua refeição, e como não há ninguém dentro preparando a comida, tudo termina sem a interação do cliente e da equipe do KFC. Loucura, né?

Segundo o consultor para bares e restaurantes, Marco Amatti, o 5G também permitirá uma melhor robótica, automação e rastreamento das operações do restaurante. Isso permitirá uma cozinha mais interativa com equipamentos inteligentes conversando entre si e se comunicando com os membros da brigada do estabelecimento sobre as operações da cozinha que precisam ser tratadas, tornando o trabalho mais eficiente.

Nos EUA a indústria de alimentos já está usando uma infinidade de componentes tecnológicos para fabricar, transportar e vender alimentos. A ideia é que essas tecnologias forneçam mais transparência, melhor rastreabilidade e uma automação mais simplificada.

A nova tecnologia também permitirá um maior uso da realidade virtual, que pode ser usada como ferramenta de treinamento em restaurantes, disse o vice-presidente da AT&T, Jay Melone, à publicação norte-americana Restaurant Dive. Essa tecnologia pode, por exemplo, incorporar uma sensação tátil para estimular a sensação de toque e pode evoluir para simular cheiro e peso.

Ou seja: sua equipe pode estar virando o hambúrguer virtual enquanto manuseia a ferramenta em suas mãos e ouve a comida cozinhando, enquanto sente o cheiro dos aromas. “Tudo sem usar de fato seu inventário”, completa Melone.

Junto à Internet das Coisas (IoT), o 5G irá possibilitar que o setor de bares e restaurantes seja mais orientado por dados. Será possível rastrear e conectar em altíssima velocidade refrigeradores e até mesmo reciclagem de resíduos de alimentos.

Enquanto o 4G criou o ambiente atual em que os usuários podem pesquisar e navegar até um restaurante e postar e compartilhar facilmente vídeos e fotos nas redes sociais, o 5G irá acelerar esse processo para os usuários. Em vez de baixar um vídeo em sete minutos na rede de hoje, pode levar oito segundos no 5G.

De acordo com estudos da National Restaurant Association, a NRA, novas soluções tecnológicas em breve mudarão muitas das interações entre donos de bares e restaurantes e seus clientes, desde como um cardápio é formulado e lido até como empresários recebem os alimentos e entrega conteúdo para seus consumidores, inventando soluções de fidelidade e até mesmo reciclar alimentos em energia renovável.

Mas enquanto tudo isso parece um roteiro de Os Jetsons, não se assuste, gente gosta de ser tratado por gente. Por mais que a tecnologia permeie todo o cenário, bares e restaurantes manterão sua essência democrática, palco que abriga o papo, o riso, o violão em festa, a contestação e a comemoração.


*Danilo Viegas é jornalista, chefe de redação da revista Bares & Restaurantes e apresentador do podcast O Café a Conta

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