No 32ª Congresso da Abrasel, participei de um bate papo rico e claro sobre as mudanças no sistema financeiro e seus impactos para o setor de bares e restaurantes com Raul Moreira do Banco Original e conselheiro do PicPay. Aqui vou fazer um compilado do que aprendi e debatemos, mas em resumo, você, eu e todos brasileiros estamos testemunhando uma enorme transformação em todo sistema bancário – aqui e no mundo e existem três forças puxando essa transformação. São elas:

Ambiente regulatório – em recente live, da revista Exame, o ex-presidente do Banco Central, no governo FHC, Gustavo Franco, afirmou que “nunca houve uma agenda microeconômica tão forte promovida pelo Bacen no sentido de promover a simplificação, transparência, competição e educação financeira como a atual, quebrando a concentração bancária, simplificando a troca de informações e promovendo o achatamento e redução de preços.

Para isso basta ver a guerra das maquininhas, que inclusive foi parar na TV, entrada de novos participantes como Stone, PagSeguro e futuramente nós. Até pouco tempo atrás existiam apenas três empresas de adquirência e hoje existem mais de 40. O governo promoveu a entrada de mais de 100 fintechs no mercado de credito, dando instrumentos de competição e simplificação em relação aos grandes bancos, e agora recentemente está patrocinando o PIX – sistema de pagamentos instantâneos do Brasil que estabelece troca de recursos entre pessoas, empresas e entidades, 24 horas, 7 dias por semana e tudo online real a um custo de 4 centavos por transação e sem necessariamente a necessidade de intermediários ou a mais recente quebra da exclusividade por parte das credenciadores dos recebíveis de cartão, seja para crédito ou antecipação.

Em resumo, turma, existe uma mudança de agenda clara, promovida pelo Governo, no sentido de simplificar o sistema financeiro. Abaixo podemos confirmar esse movimento através do gráfico que ilustra a queda de preço e os impactos após abertura do mercado de adquirência (maquininhas de cartão).

1. Comportamento do Consumidor – seja por um tema de gerações diferentes, ou do advento e uso da tecnologia remota, a nossa maneira de nos relacionar, de consumir, de comprar, de nos comunicar está mudando rapidamente e a pandemia acelerou e deixou evidente ainda mais evidente essa mudança. O Brasil é um país imenso, de mais de 200 MM de habitantes e com muitas diferenças, sejam sociais, financeiras, e até culturais. De um lado, durante a pandemia vimos o quanto precisamos avançar na inclusão digital com filas quilométricas na frente das agências da CEF para o receber o auxílio emergencial do governo, porém durante esse período mais de 20 MM de contas digitais foram abertas justamente para receber esse mesmo auxílio.

Ao mesmo tempo lojistas que antes só vendiam em lojas físicas, conseguiram sobreviver e estão gostando das vendas online, consumidores comprando mais através do delivery e assim cada vez mais estamos nos habituando a usar o celular como ferramenta de compra, transação e relacionamento. Eu particularmente não acredito em rupturas ou grandes mudanças repentinas de hábito no sentido de achar que tudo será online e ninguém mais vai sair de casa pois somos seres sociais, gostamos de sair na rua, conversar com o dono do butiquim, dar uma volta no shopping, mas é um fato que os hábitos online vieram para ficar, e temos que estar antenados nessa mudança.


2. Evolução tecnológica – a terceira e última força que impulsiona essa mudança está na palma da sua mão nesse momento, talvez você esteja lendo esse texto num celular, que na letra A da sua lista de contatos carrega mais processamento que um PC 286 que usávamos até pouco tempo atrás. Gordon Moore, cientista e fundador da Intel disse certa vez, “que a velocidade de processamento dobra pelo mesmo custo a cada 18 meses”, primeiro que no ano passado essa teoria já furou apresentando tal evolução em 4 meses, e segundo que ela ilustra a velocidade da capacidade de processamento, que barateia a tecnologia e permite que pequenos possam competir com grandes.

Dito isso, a evolução da tecnologia aliada as mudanças de comportamento do consumidor geram uma enorme gama de oportunidades, permitindo a construção de serviços que antes necessitavam de burocracias, confirmações e de presença física. Vejam vocês, desde que cheguei na Sorocred, já assinei inúmeros documentos – todos online e com firma reconhecida sem ter colocado a mão em uma caneta. Além disso, sistemas de biometria, inteligência artificial, autenticações remotas, processamento em nuvem alteram sensivelmente toda maneira com que fazemos as coisas antes, e isso muda muito o nosso modelo de negócios. Nós gostamos quando essas facilidades chegam para nós, e os nossos clientes mais ainda.

Portanto seja porque existe uma força por parte do governo incentivando, seja porque nosso cliente está mudando seu comportamento ou porque a tecnologia está aqui e a nossa disposição, a mudança já está na nossa porta e ela vai acontecer com a gente, sem a gente ou apesar da gente. O trem está passando, entrar não é uma opção, mas uma realidade. Use a tecnologia e todas as transformações a seu favor!


Alberto Weisser é Business Unit Head no Grupo Sorocred

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