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Juscelino Pereira, dono do restaurante Piselli - Mathilde Missioneiro/Folhapress

O anúncio do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, de que vai esperar uma semana para reabrir os restaurantes e bares deve causar prejuízo adicional aos estabelecimentos que fizeram estoque de produtos perecíveis acreditando na expectativa de que a retomada aconteceria na segunda (29), segundo donos de restaurantes e entidades do setor. "Há pessoas que compraram produtos, que têm um tempo de vida útil. Acaba perdendo", afirma Percival Maricato, presidente da Abrasel em São Paulo.

O estrago dos produtos de hortifrúti preocupam Juscelino Pereira, dono da holding Hervilha, que possui o restaurante Piselli na capital paulista. "A gente tinha preparado um menu mais reduzido para a reabertura e agora orientei a equipe para fazer algumas produções e congelar o que der", diz ele. Para Pereira, os governos estadual e municipal estão prejudicando o setor na pandemia.

Humberto Munhoz, sócio da holding de restaurantes Turn de Table, dona de O Pasquim Bar e Prosa, na Vila Madalena, diz que tinha marcado uma reunião com sua equipe na tarde desta sexta (26) para repassar as orientações finais de reabertura. "Hoje o sentimento foi de 7x1. Trouxemos de volta funcionários que estavam em suas casas no Norte e Nordeste do país, compramos equipamentos de segurança e imprimimos cartazes. Essa falta de planejamento está afundado ainda mais a gente", afirma ele.

Segundo Munhoz, com seu estabelecimento parado quase três meses, foi necessário refazer todo o estoque. Ele diz que os produtos perecíveis, como as frutas e hortaliças, dificilmente conseguirão ser preservados até o próximo posicionamento do prefeito. Há também um efeito subjetivo, segundo Maricato. "Gera uma insegurança. A gente não sabe bem o que vai acontecer. As pessoas ficam imaginando se virão novos adiamentos. Isso não é bom", afirma.

Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, comparou a mudança com as idas e vindas do rodízio na cidade e também fez críticas à condução da crise pelo governador do estado, João Doria. "É aquela situação de abre rodízio, fecha rodízio. São decisões erráticas. O pessoal comprou estoque, chamou funcionário. Tinha gente achando que poderia reabrir até amanhã. Criou expectativas. Todo mundo correu atrás, se preparou, gastou dinheiro que não tem", diz ele.

Fonte:
Folha de S.Paulo

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