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O novo sistema de avaliação de risco de crédito pode representar um aumento do PIB em 0,54% ao ano

Um estudo da Serasa Experian sobre o impacto do cadastro positivo mostra o potencial de injeção de R$ 1,3 trilhão na economia do país. Conforme empresa, o sistema pode incluir mais 22,6 milhões de pessoas atualmente fora do mercado de crédito.

O Senado aprovou na última quarta-feira (13) o projeto de lei complementar que prevê a inclusão automática dos consumidores no cadastro positivo, que vai construir um histórico de adimplência de contas e obrigações. Para passar a valer, o projeto precisa apenas da sanção presidencial. Depois da aprovação do poder Executivo, a nova lei entraria em vigor após 90 dias, período no qual os bureaus de crédito têm de divulgar os detalhes do novo sistema.

De acordo com estudo da Serasa Experian, feito a partir de simulações baseadas em modelos estatísticos de score, ou seja, nota de pontuação de crédito, o sistema pode beneficiar cerca de 137 milhões de brasileiros, o que significa 88,5% da população adulta do país. O levantamento revela ainda uma redução de juros para 74% das pessoas acima de 18 anos que já têm acesso ao crédito.
Em termos de crescimento do mercado, a pesquisa estima um aumento de quase 20 pontos percentuais na relação entre estoque de crédito e PIB. A taxa sairia dos atuais 47,4% para 67%, diz a Serasa. "O sistema é a melhor forma de saber o comportamento financeiro do consumidor e promover o crescimento sustentável do mercado de crédito", diz o presidente da Serasa Experian e Experian América Latina, José Luiz Rossi.

Conforme a empresa de análise de crédito, os setores de habitação e veículos serão os maiores beneficiados com o crescimento do mercado de financiamentos. A pesquisa da Serasa indica potencial de aumento de 5,6 milhões de unidades de residências populares financiadas, o que representaria um volume de empréstimos adicional de R$ 1,1 trilhão. Na área de veículos, o mercado de financiamentos poderia adicionar mais 3,5 milhões de automóveis. No total, a quantidade significaria um volume de novos empréstimos de R$ 159 bilhões.

Outros dois ramos citados pelo bureau, eletrodomésticos e eletroeletrônicos, poderiam se beneficar de um aumento de 17,1 milhões e 15,4 milhões de unidades, respectivamente. O crédito novo representaria um incremento de vendas de R$ 34 bilhões e R$ 32 bilhões, respectivamente.

Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC) estima uma expansão no crédito corporativo de R$ 790 bilhões, dos quais R$ 550 bilhões seriam destinados a micro e pequenas empresas.

Nos cálculos da associação, o estímulo à atividade econômica teria um potencial de aumentar em até R$ 450 bilhões a arrecadação de impostos e contribuições federais, além de incrementar em R$ 205,7 bilhões a arrecadação de ICMS e IPVA pelos Estados.

O presidente da ANBC, Elias Sfeir, observa que a formação de um cadastro com informações positivas é um estímulo tanto a quem empresta, ao ter mais garantia de recebimento, quanto ao tomador, que pode ter crédito mais acessível, mais barato e maior controle sobre suas informações.

A partir da vigência do cadastro positivo, o consumidor terá uma nota de crédito de acordo com seu histórico de bom pagador. O novo sistema vai considerar, além das obrigações financeiras, também o pagamento de contas contínuas, como de luz, água, telefone e gás. Com a nota, os clientes com histórico mais positivo podem obter taxas de juros mais baixas.

"Quanto mais informações disponíveis sobre o tomador de crédito, mais eficiente é a avaliação de risco e, por consequência, mais negócios podem ser realizados pelo credor, que pode identificar com mais assertividade o perfil dos seus clientes, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas", diz.

Segundo a ANBC, pesquisa baseada em experiências internacionais feita pelo International Finance Corporation (IFC), mostra que o cadastro positivo pode reduzir em até 45% a inadimplência, que, no Brasil, atinge cerca de 60 milhões de pessoas.

A associação estima uma injeção potencial de R$ 1,1 trilhão na economia brasileira com a aprovação do cadastro positivo - abaixo do previsto pela Serasa Experian. Conforme a ANBC, o novo sistema de avaliação de risco de crédito pode representar um aumento do PIB em 0,54% ao ano, segundo cálculos da LCA Consultores.

Fonte: Valor Econômico

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