8/2/2019 - Grandes bancos pagam R$ 36,8 bi a seus acionistas


O número equivale a 61,7% do lucro líquido ajustado que Itaú Unibanco, Bradesco e Santander alcançaram juntos em 2018, de R$ 59,7 bilhões

Os três maiores bancos privados do país vão distribuir neste ano R$ 36,8 bilhões aos acionistas na forma de dividendos, juros sobre capital próprio e recompra de ações. O número equivale a 61,7% do lucro líquido ajustado que Itaú Unibanco, Bradesco e Santander alcançaram juntos em 2018, de R$ 59,7 bilhões. O valor distribuído foi ampliado por causa de um novo recorde de remuneração dos acionistas do Itaú, que atingiu R$ 22,9 bilhões, equivalente a 89,25% lucro líquido do ano passado. Em 2018, o banco já havia devolvido 83% de seu resultado, a melhor marca até então.

A farta distribuição de dividendos ocorre no momento em que o governo Bolsonaro discute a possibilidade de tributar o instrumento em troca de um corte nas alíquotas do Imposto de Renda pago pelas empresas. O ministro da Economia, Paulo Guedes, indicou que o IR pode ser reduzido dos atuais 34% para 15%, após a taxação de dividendos. A medida vem sendo elogiada por executivos de bancos e analistas do setor.

O Bradesco distribuiu aos acionistas R$ 7,3 bilhões relativos aos números de 2018, o que equivale a 34,2% do resultado. O Santander pagou R$ 6,6 bilhões, 53,2% do lucro recorrente. Tecnicamente, os superdividendos do Itaú decorrem de uma política adotada pelo banco para lidar com um problema bom - o excesso de capital. Para evitar uma "sobra" ainda maior, a instituição anunciou em setembro de 2017 a derrubada do teto que limitava os dividendos a 45% do lucro líquido.Na época, o Itaú definiu que passaria a fazer, a cada ano, a distribuição necessária para manter 13,5% do capital em nível 1, parâmetro que inclui ações, lucros acumulados e alguns títulos de dívida. Com o crédito fraco e limitado pelos reguladores para fazer aquisições, o Itaú optou por distribuir mais lucros aos acionistas, encerrando 2018 com 15,9% do cpaital em nível 1.

A política do Itaú é diferente da adotada por seus maiores concorrentes. O diretor de relações com o mercado do Bradesco, Carlos Firetti, disse que 13,5% em capital de nível 1 é o patamar ótimo, mas não necessariamente um teto. "A gente pode acumular mais", disse em teleconferência com analistas. Segundo Firetti, a expectativa do banco é que as mudanças discutidas pelo governo não impliquem aumento da carga tributária.

Fonte: Valor Econômico

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