5/2/2019 - Concentração bancária: sem concorrência, de cada R$ 10 depositados, R$ 8,50 ficam em só 5 bancos


Guarda-chuva da concentração bancária abrange Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil (BB), Itaú Unibanco, Santander e Bradesco

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A concentração bancária no Brasil é tão grande que os cinco maiores bancos reuniam 85% de todos os depósitos em 2017, segundo os últimos dados disponíveis no Banco Central (BC). Isso quer dizer que, de cada R$ 10 depositados, R$ 8,50 estavam sob guarda de Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil (BB), Itaú Unibanco, Santander e Bradesco

COMPRA DE BANCOS A PARTIR DE 2008 PIOROU CONCENTRAÇÃO

O economista João Augusto Salles, especialista em bancos na consultoria Lopes Filho, afirmou que desde a fusão que criou o Itaú Unibanco, em 2008, o nível de concentração bancária aumentou no Brasil, com outras operações semelhantes.

Em 2009, o BB comprou 49,9% do Banco Votorantim e a Caixa parte do Pan. Em 2015, o Bradesco arrematou o HSBC. No ano seguinte, o Itaú adquiriu a operação de varejo do Citibank no país.

"Esse fenômeno que aconteceu não é favorável para o consumidor, mas é para o acionista do banco. Depois de todo esse processo e com a queda da taxa básica de juros (Selic), vemos que os spreads não diminuem significativamente. Eles continuam altos. O custo de captação diminuiu, mas não foi repassado para o consumidor", disse. O spread é a diferença entre os juros que os bancos pagam quando o cliente investe o dinheiro e os juros que cobram quando é feito um empréstimo.

BANCOS MANTÊM JUROS ALTOS PARA GARANTIR LUCROS

Salles afirmou que os juros permanecem altos diante do processo de consolidação do setor. Segundo ele, as instituições financeiras cobram juros altos para manter o nível de rentabilidade elevado. "Em paralelo ao processo de concentração, vemos outro fenômeno, chamado de verticalização. Alguns bancos, por exemplo, estão em todos os elos da cadeia de meios de pagamentos. São donos de credenciadoras, bandeiras e emitem os cartões. Isso eleva custos", disse.

Em dezembro, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a instauração de um processo para apurar eventuais práticas prejudiciais à competição no mercado financeiro e de meios de pagamento. A decisão foi tomada após a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado aprovar, na véspera, um relatório com recomendações ao Cade e ao Banco Central para reduzir o spread bancário,

Para o economista, o aumento da concorrência no Brasil só virá com o avanço das fintechs. Entretanto, ele declarou que isso não deve ocorrer no curto prazo. "O cenário para o consumidor em 2019 não é favorável, mas sim para os bancos", afirmou.

Fonte:UOL

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