14/03/2018 - Orçamento das famílias brasileiras para gastos com alimentação fora do lar cresce 4,72%


Presidente da Abrasel confirma que houve melhora em 2017: “O último trimestre foi muito bom”

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As famílias brasileiras tiveram mais dinheiro disponível no orçamento para gastar em restaurantes, bares e lanchonetes em 2017. Após dois anos seguidos de retração, o potencial de despesas com alimentação fora do lar cresceu 4,72% no ano passado, já descontando os efeitos da inflação do período, segundo um levantamento feito pela empresa de inteligência geográfica Geofusion em parceria com a empresa de pagamentos Mastercard.

A Abrasel confirma que houve melhora no período. “O último trimestre de 2017 foi muito bom”, resumiu o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci. O montante disponível aumentou de R$ 194,180 bilhões em 2016 para R$ 203,348 bilhões. O resultado, porém, ainda não avançou ao patamar pré-crise, quando os consumidores tinham cerca de R$ 204,684 bilhões para serem gastos em comida e bebida fora de casa. Com o avanço em 2017, porém, essa perda foi reduzida a 0,65%.

"Esse avanço no potencial de gasto da população decorre sempre da melhora no mercado de trabalho. Mesmo quem estava na informalidade, conseguiu mais trabalho. Ou uma pessoa que estava desempregada passou a trabalhar. Tudo isso aumenta a renda familiar e libera mais possibilidade de consumo”, explicou João Caetano, gerente de marketing de Produto da Geofusion.

O levantamento do potencial de consumo feito através de uma solução criada pela Geofusion com integração de dados de atividade econômica da Mastercard, que leva em consideração informações de indicadores econômicos apurados pelo Banco Central e pelo IBGE, entre eles a massa de salários dos trabalhadores ocupados apuradas pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), a estrutura dos gastos familiares identificada pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e a projeção da população brasileira com base no último Censo.

O potencial de localização do gasto dos consumidores é fornecido pela base de dados da Mastercard, assim como o gasto efetivo dos consumidores, mas que não pode ser divulgado por uma questão de sigilo de dados. As análises e estimativas consideram apenas a população das regiões urbanas.

Segundo Caetano, a abertura de novos bares e restaurantes já acompanha essa melhora na massa de recursos disponíveis para esse tipo de gasto. “A tendência é de crescimento no número de estabelecimentos. Óbvio que em alguns locais ainda têm muita troca, estabelecimentos que abrem e outros que fecham. Mas já vemos saldos positivos em alguns bairros”, afirmou o gerente da Geofusion.

Os restaurantes e bares representam 45,10% dos serviços prestados às famílias brasileiras dentro da Pesquisa Mensal de Serviços, apurada pelo IBGE. O subsetor de alojamento e alimentação fechou o ano de 2017 com ligeiro recuo de 0,3% no volume de serviços prestados, em relação a um ano antes. Mas a trajetória é de recuperação, segundo o analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Rodrigo Lobo.

“A atividade tem bastante aderência com as variáveis que também norteiam as vendas no varejo. O mercado de trabalho um pouco melhor, com aumento do rendimento das famílias, ainda que de forma gradual, tem relação com esse segmento do setor de serviços”, apontou Lobo.

O pesquisador do IBGE aponta que a trajetória ascendente do segmento de alimentação e alojamento teve início em fevereiro de 2017, quando a taxa acumulada em 12 meses – que indica tendência – teve queda de 5,0%. “De lá para cá esse grupamento mostrou taxas negativas cada vez menos intensas”, frisou Lobo.

Para a Abrasel, a recuperação teve início no segundo trimestre do ano passado. A estimativa é que o faturamento real do setor tenha avançado 1,5% em 2017, com previsão de nova expansão de 4,5% este ano. O presidente executivo da Abrasel, Paulo Solmucci Junior, lembra que o setor viveu seu pior momento no terceiro trimestre de 2016, quando 39% das empresas reportavam prejuízos. No quarto trimestre do ano passado, a proporção de empresas ainda com prejuízo diminuiu para 25%.

“O nosso setor é muito sensível ao aumento do rendimento e à renda disponível, determinada pelo número de pessoas empregadas”, justificou Solmucci. “Agora temos não só menos empresas fazendo prejuízo, como as que estão positivas voltaram a melhorar”, disse.


Fonte: Estadão

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