13/03/2018 - Bares de Curitiba deixam de cobrar couvert artístico


Para presidente da Abrasel no Paraná, tendência pode ser considerada como alternativa para fidelização dos clientes

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Nos últimos meses, não cobrar entrada ou couvert artístico surgiu como tendência de mercado das casas noturnas e bares que abrem palco para bandas ao vivo – principalmente de rock ou MPB - em Curitiba. A prática está transformando o cenário local. Empresários relatam que as causas são o efeito prolongado da crise econômica no país e o aparecimento de novos empreendimentos. O que leva casas tradicionais de Curitiba a repensarem suas gestões e também afeta diretamente o mercado dos músicos profissionais.

Para Jilcy Rink, presidente da Abrasel no Paraná, a não-cobrança pode ser considerada uma estratégia dos empresários para fidelizar clientes. "Estamos passando por uma adaptação da economia, saindo de uma crise muito séria que atingiu bastante o setor. Então é normal que os estabelecimentos busquem mecanismos para se recuperarem", diz. Ela acredita que a tendência veio para ficar. "Pela exigência dos consumidores, as experiências mais difíceis se iniciam em Curitiba, cidade-piloto para testes, e depois se alastram para o restante do país", completa.

Um dos fatores que disseminaram a tendência em não cobrar ingresso para atrações ao vivo foi a ascensão dos polos gastronômicos como o Distrito 1340, o Mercado do Sal, a Mercadoteca e outros, que reúnem vários bares e outros empreendimentos em condomínio e não cobram ingresso dos clientes.

“Nossa ideia é a preocupação total em melhorar a experiência do cliente. Não queremos que ele sofra para estacionar, não queremos ele na fila, nem fazendo cadastro. Queremos facilitar o pagamento e a saída”, explica Fernando Donnabella um dos sócios do Distrito 1340, no Seminário, e defensor da entrada gratuita.

Para Donnabella, o modelo de negócios é o diferencial: o condomínio faz rateio entre os bares e consegue pagar bons cachês às bandas. “Acabou virando uma referência. No domingo consigo colocar mil pessoas. Se cobrasse 20 reais, não sei como seria”, disse. Apontado como pioneiro deste modelo de gestão, o Claymore Highway Bar, no Capão Raso, dedicado ao nicho “rock e motociclismo” tem explicação parecida para não cobrar entrada.

Segundo o proprietário Darli Boarin, a prática faz parte da identidade do bar, ainda que cobre entradas quando contrata uma banda internacional ou de outros estados. “Pelo tamanho da casa, o fluxo de pessoas que a gente consegue e o perfil do nosso público, conseguimos diluir os custos sem cobrar preços aviltantes para nossos clientes”, disse.

Boarin sabe que sua postura tem recebido críticas de colegas empresários do setor, mas lembra de outras casas que fazem a mesma coisa - recentemente, o Dobrucki, bar que tem perfil semelhante, adotou a entrada gratuita. O empresário disse que sua estratégia é “um jogo válido de mercado e que o bar tem uma proposta popular contra a elitização”. “Algumas casa têm outro tamanho e proposta que às vezes não permitem fazer a mesma coisa”, avalia.

Esta tendência tem influenciado outras casas noturnas para se adequarem ao novo modelo. Um dos bares mais tradicionais da cidade, o Sheridans Irish Pub, no Batel, reduziu o valor da entrada em até 75% em algumas noites de música ao vivo.

Gustavo Haas um dos sócios do bar, explica que a casa tem feito o possível para se adaptar ao momento e ao contexto de crise econômica do país. “Temos que estar sensíveis às necessidades dos nossos clientes e dançar conforme a música, porém sem abrir mão da qualidade do nosso atendimento. Nós estamos dando espaço para bandas mais novas, o que por um lado é bom”, disse.

Fonte:
Gazeta do Povo

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