José César da Costa - "A Reforma muda completamente o nosso modo de trabalhar no País"



Gestão inovadora de presidente da CNDL é marcada pelo próspero fortalecimento da livre iniciativa e pela diminuição da burocracia

presidente cndlMineiro de Barbacena, o empresário José César da Costa foi eleito, em outubro de 2017, novo presidente da CNDL, a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas. Com uma bagagem de quase 40 anos no ramo de construção civil, ele já havia sido presidente da FCDL-MG no período de 2007 a 2013. Atuou ainda como vice-presidente do Conselho Deliberativo do SPC Brasil e foi também vice-presidente da CNDL.

Costa foi também diretor, vice-presidente e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Conselheiro Lafaiete (MG), por dois mandatos. Em sua primeira fala como presidente eleito da CNDL, ressaltou a importância do trabalho conjunto de todas as entidades que compõem o Sistema, o que tem sido a marca de sua gestão, que vai até 2020.

Fruto do idealismo de empresários lojistas, que desde 1955, com o surgimento da primeira Câmara de Dirigentes Lojistas, esforçavam-se pela criação de uma entidade de classe de nível nacional, a CNDL foi fundada em 1960 e tem como objetivo primordial representar o segmento nacionalmente, em todas as áreas que estejam ao seu alcance. Hoje por meio de mais de duas mil entidades vinculadas, são quase meio milhão de empresas associadas.

Atualmente, segundo Costa, a CNDL atua junto às autoridades governamentais buscando a obtenção de meios que permitam o fortalecimento da livre iniciativa, a diminuição da burocracia, a redução da carga tributária, a defesa das reivindicações de interesse dos lojistas e que, “sobretudo, contribuam para o crescimento e desenvolvimento de nosso país”.

Nos últimos anos, a entidade conquistou assentos em Conselhos de todo país e avançou em importantes legislações que impactam todo o setor de comércio e serviços. Para o empresário, a discussão pela simplificação do empreender deve estar à frente dos interesses políticos. “E neste sentido, a Unecs, junto à Frente Parlamentar Mista em Defesa do Comércio, Serviços e Empreendedorismo, chega com força e representatividade”, ressalta.

Confira abaixo a entrevista do empresário para a revista Bares & Restaurantes:

O senhor é formado em administração e possui larga experiência no ramo de construção civil. Como essa bagagem está lhe auxiliando na tomada de decisões de uma entidade tão importante e tradicional como a CNDL?

Minha vida empresarial e minha formação acadêmica certamente me deram ferramentas para desempenhar o papel em que me encontro atualmente. Me identifico com o pequeno empresário, que representa a maioria absoluta dos associados do Sistema CNDL. Minha experiência no ramo da construção civil e de materiais de construção me ajuda a entender as dores dos nossos associados e a pensar de forma igualitária, buscando uma gestão compartilhada e com resultados exitosos que possam, de fato, melhorar a vida de cada micro e pequeno empresário. Minha vida de empreendedor, sempre em busca de desafios e oportunidades para sobreviver, me dá ferramentas para pensar e refletir como a nossa entidade pode trazer resultados efetivos para todo o Sistema CNDL. Outro ponto é que atuo no Sistema ativamente há 20 anos, tendo passado por CDL e FCDL, o que certamente me ajuda a entender os desafios de uma entidade com essa abrangência e aumenta o meu desejo de desempenhar uma gestão com resultados efetivos, que cheguem até as menores cidades do país.

Falando um pouco sobre a reforma trabalhista, para o senhor, o que tende a mudar na relação entre os empregadores e empregados, agora que se iniciou a revisão da legislação trabalhista?

A modernização trabalhista já trouxe alguns resultados que merecem ser celebrados, como por exemplo, a redução da quantidade de processos judiciais. Acredito que a reforma muda completamente a nossa forma de trabalhar, abre oportunidades tanto para empregados como para os empregadores e moderniza um sistema que estava muito engessado, dificultando as ações empresariais e até a geração de empregos. Isso já é um avanço, sobretudo em um país como o nosso que precisa, urgentemente, criar novas oportunidades. Entendo que a reforma trabalhista representa uma grande vitória e foi uma conquista também fruto da mobilização da Unecs (União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços) e entidades parceiras. A modernização trabalhista coloca o Brasil em maior sintonia à realidade laboral em que vivemos.

Além das alterações na legislação trabalhista, o que pode impulsionar essa evolução cultural para que o empreender seja cada vez mais simplificado?

Precisamos mudar ainda muita coisa. É urgente simplificar todo o sistema burocrático que engessa o país. Também estamos carentes de uma ação política mais efetiva, onde o governo tenha a credibilidade necessária para promover mudanças e conquistar a confiança do empresário, do cidadão. Necessitamos uma política externa mais agressiva, com um melhor controle da nossa moeda para que o Brasil possa acompanhar os países desenvolvidos e ter realmente um futuro seguro. Para mudar o país é fundamental ter ações relevantes para o crescimento, desenvolvimento e para o futuro de toda a nação.

Na sua opinião, o que é preciso para que o associativismo da representação empresarial evolua?

O associativismo hoje é uma alavanca de representatividade de setores que precisam buscar esse entendimento. Acredito na força coletiva e que o associativismo permite obter conquistas que individualmente seriam difíceis num país como o nosso. Nosso caminho é o do crescimento e fortalecimento do associativismo. Espero que possamos a cada dia buscar mais associados dentro dos nossos grupos, seja entidades de serviços, de empresas, da indústria, enfim de todos os setores que alimentam a economia. O Sistema CNDL desponta como um grande exemplo de associativismo de livre adesão e nos torna, de fato, uma das maiores entidades representativas do varejo. Acredito que a união nos fortalece.

Como, no seu ponto de vista, a questão do cadastro positivo pode impactar positivamente a economia brasileira?

O cadastro positivo será uma grande evolução. Ele significa uma oportunidade de buscarmos um crédito mais fácil, mais seguro, além de diminuir o spread bancário, reduzir juros e reconhecer o bom pagador, abrindo crédito para pessoas que até então não tinham esse acesso. Aqui na CNDL e no SPC Brasil estamos acompanhando e nos mobilizando para que o projeto seja aprovado no Congresso Nacional. É fundamental termos um cadastro completo, efetivo e que traga grandes resultados. Acredito que trata-se de uma medida importante que irá impactar todos os setores produtivos e resultará em uma grande mudança na forma de gerar créditos. Com o projeto, podemos mudar uma cultura nacional e seguir exemplos de países que já tem essa experiência de cadastro positivo, que certamente irá impulsionar a nossa economia.

Fonte: Revista Bares & Restaurantes, edição 122. Entrevista completa disponível na versão impressa.
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