Paulo Nonaka - 'O futuro não acontecerá, é o que já está acontecendo'


A Abrasel tem influenciado enormes avanços no seu setor e no país, tornando-se uma entidade pronta para um crescimento exponencial


A meta-síntese do empresário Paulo Nonaka, que assumiu a presidência do Conselho de Administração Nacional da Abrasel para o triênio 2018/2020, é fazer com que o crescimento da entidade, sobretudo no número de associados, passe de “orgânico”para “exponencial”. Ele diz que o “futuro da Abrasel não é o que acontecerá”, mas o que “está acontecendo”. Considera que já se encontram presentes os ingredientes essenciais para potencializar o movimento do futuro em curso.

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Ou seja: aglutinar e amplificar por meio de uma estratégia, a Supernova, as ações transformadoras do setor e da sociedade, atuando para impulsionar a melhoria do ambiente de negócios, o que implica uma interlocução dinâmica e sinérgica, tanto pelos meios digitais quanto presenciais, com as comunidades urbanas, os associados efetivos e potenciais, o mundo oficial, os clientes, fornecedores e o universo de gestores da própria entidade.

Ele reitera que todos os ingredientes, que entrelaçam o hoje com o amanhã, já estão presentes. A Abrasel é, hoje, uma entidade nacionalmente atomizada, com 50 unidades atuando no país. O objetivo é de dar um impulso a mais nessa interiorização, com a implantação de um novo rol de regionais, a partir das presidências e respectivas diretorias das seccionais, atuantes nas 27 unidades da Federação.

Em paralelo a uma atomização ainda mais acentuada das regionais da entidade no país, de ponta a ponta, e de lado a lado, o que está cravado no escopo da Abrasel para o triênio é a sua participação efetiva e intensa em mais fóruns das comunidades, das entidades de classe e do setor público. Isso implica a qualificação ainda maior das equipes das seccionais e regionais, e uma conexão instantânea e compartilhada com as novas audiências e com os potenciais parceiros locais, regionais e nacionais.

A plataforma Conexão Abrasel, assentada sobre a base digital, possibilitará a consolidação e o compartilhamento de informações e dados que formaram o conhecimento Abrasel acerca do setor da alimentação fora do lar no Brasil e no mundo. Ao mesmo tempo, a Conexão possibilitará o diálogo online com as equipes executivas da entidade, fornecedores, clientes e influenciadores deste início de milênio, os ‘digital Influencers’, que podem ser mobilizados quando, por exemplo, um vereador inventar algum projeto de lei despropositado e inconstitucional.

Nonaka concedeu à Bares & Restaurantes a entrevista que se segue:

A sua posse na presidência do Conselho Nacional da Abrasel se dá, efetivamente, em 2018, que é tido como um ponto de inflexão.

Exatamente. É isso mesmo. Um momento fantástico. Passamos pela maior crise econômica que o Brasil já teve, e a crença que todos da Abrasel temos é de que, realmente, 2018 marcará um ponto de inflexão, que será uma virada nunca vista antes. O terreno está preparado para o avanço. A Abrasel conquistou, de forma extraordinária, muitas vitórias: vários pontos da reforma trabalhista muito favoráveis ao nosso setor, o fim do deságio dos vouchers de refeição e alimentação, a regulamentação da gorjeta, que elimina uma insegurança jurídica que sempre era um fator de intranquilidade nos negócios de bares e restaurantes. No momento, a UNECS trabalha para que a Câmara dos Deputados e o Senado derrubem o veto ao Refis para as micro e pequena empresas. Está havendo aí uma grande e muito favorável transformação no ambiente de negócios. E a Abrasel tem sido uma protagonista de primeira linha nessa transformação. O futuro da Abrasel e do país não é o que acontecerá. É o que já está acontecendo. Todos os ingredientes para um impulso ainda maior da Abrasel estão presentes. É preciso entender isso, e dar prosseguimento aos avanços. As vitórias de ontem não asseguram o sucesso de amanhã.

Só faltou ao país, para completar esta fase inicial dos grandes ajustes nacionais, a reforma da Previdência, pelo menos nos termos em que havia sido proposta.

De fato, o ideal seria uma reforma ampla, mas, mesmo com uma reforma que não seja nas dimensões necessárias, ela sinaliza para a continuidade de processo, já no curso da retomada da economia. É lógico que uma reforma, como estava inicialmente desenhada, impulsionaria a economia ainda mais. De qualquer modo, do jeito que vem, apenas para que não se deixe de fazer alguma coisa, já ajuda. O que precisamos, mesmo, é da equalização das aposentadorias, entre as dos setores privado e público. É isso que possibilitará a revitalização dos orçamentos dos governos, em todos os seus níveis, reduzindo-se o déficit do setor público e abrindo espaço para o crescimento.

Quais os outros fatores que, em sua opinião, contribuem para que se abra esse cenário de melhoria geral?

As mudanças sociais, impulsionadas pela tecnologia. São dois vetores dessa nova era tecnológica. Um é o do compartilhamento instantâneo das informações. Algo que acontece agora é logo compartilhado entre milhares ou milhões de pessoas. Surge uma nova categoria, que não existia antes, que é a do influenciador digital (o “digital influencer”) ou a do youtuber (o influenciador que utiliza a plataforma de vídeo youtube). Daí, isso faz com que a população esteja se mobilizando mais, exercendo, também, maior fiscalização dos atos praticados pelos gestores públicos. Quando a modernização das leis trabalhistas começa a acontecer, neste momento, junto com maior participação da sociedade, percebe-se que estamos entrando em um ano e em um ciclo de evolução. A gente vê a história de outros países que passaram por momentos conturbados. Vivemos, até agora, um período muito difícil, com o problema da violência e de um ambiente político muito nebuloso. Mas o que importa é que vamos ultrapassar isso, inclusive porque começamos a avançar, conquistando uma evolução muito grande, comparando-se com uns dez anos atrás.

E como a Abrasel se movimentará neste novo horizonte?

A visão que tenho do futuro da entidade é a de uma atuação em favor da melhora não só do ambiente de negócios do setor de bares e restaurantes, mas, ao mesmo tempo, exercendo um protagonismo ainda maior junto à sociedade. Ou seja, cuidar daquilo que está no nosso DNA e, ainda, contribuir para melhorar o ambiente empresarial do país, inclusive atuando em favor da convivência com a comunidade, com a sociedade. Então, é esse o nosso objetivo como presidente do Conselho de Administração Nacional: a Abrasel ter um protagonismo ainda mais acentuado, nessa perspectiva de anos melhores daqui por diante, tanto empresarial quanto social, tanto público quanto privado, tanto político quanto comunitário.

Quais instrumentos a entidade utilizará para levar adiante essas várias frentes, simultaneamente?

É uma ferramenta de múltiplas e convergentes finalidades, a Conexão Abrasel. O propósito maior é o de que mudemos a curva do crescimento orgânico para a do crescimento exponencial. É uma ferramenta que serve aos nossos associados e a todos os usuários, não só do nosso setor, mas da sociedade em geral. Será uma ferramenta que mostrará a radiografia do setor da alimentação fora do lar, com todas as informações possíveis que foram acumuladas durante anos. Disporá das informações voltadas à aprendizagem e à qualificação do quadro social e dos parceiros. O desafio é alcançar bem mais do que o universo de um milhão de negócios que formam o setor no Brasil inteiro, mas atingindo milhões de pessoas, de consumidores e de empresários, tendo como exemplo algumas plataformas digitais, como as do Uber e do Airbnb. Isso para falar no ambiente externo. Mas há também o interno, que é o crescimento do tamanho da entidade.

Fonte: Revista Bares & Restaurantes, edição 119. A entrevista está disponível na íntegra na versão impressa. 
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