alt


 
* Por Paulo Solmucci Júnior

O ano de 2018 é o ponto de uma histórica inflexão positiva no setor da alimentação fora do lar. Houve avanços no ambiente regulatório. Fim dos deságios nos vales refeição, fixação do teto da taxa de intercâmbio dos cartões de débito, recuo da inflação, melhora (ainda que tênue) na recuperação do emprego. Os investidores começaram a sentir mais confiança em relação ao futuro imediato do nosso país.

Ao verem que as nuvens turvas estavam, pouco a pouco, se dissipando, os investidores enxergaram na linha do horizonte um país despontando como a nova fronteira global do setor da alimentação fora do lar. O Brasil é, ao mesmo tempo, uma democracia e uma economia de livre mercado de vastas proporções, coberto de potencialidades, como os seus mananciais hídricos e minerais, com imensas parcelas da população a serem incorporadas ao mercado consumidor.

O modelo da expansão das redes nacionais e internacionais de bares e restaurantes é semelhante ao da Petrobras na exploração de petróleo e gás. É o de estreita relação com os investidores privados. O nome disso é parceria. No nosso setor, parceria é sinônimo de franquia. Assim como a Petrobras firma parcerias, por intermédio de leilões, com a Exxon, Shell, BP, Chevron etc, nós firmamos parcerias com as redes Bob’s, Multi QSR (Pizza Hut, Taco Bell e KFC), McDonald’s, Habib’s etc.

No nosso caso, cada restaurante que se abre, no sistema de franquia, igualmente produz múltiplos efeitos virtuosos sobre a sociedade e a economia do país. O primeiro é que o sistema de franquias faz florescer o empreendedorismo, em base seguras, porque conta com a retaguarda dos grupos franqueadores, nos aspectos administrativo, jurídico, publicitário e de padronização de processos. O franqueado – que pode ser um pequeno ou médio novo empreendedor - insere-se em um universo de larga escala, ingressando no mercado com a vantagem relativa de preços menores ao consumidor final.

O segundo fator virtuoso é a geração de empregos, possibilitando - sobretudo aos jovens, sejam eles vindos das periferias ou das regiões interioranas - a milhões de pessoas a sua primeira capacitação no mercado de trabalho. É até comum que, entre os que exercem os ofícios de garçons, atendentes ou profissionais da cozinha, se desperte o desejo de abrir o seu próprio negócio, desejo esse que frequentemente se concretiza de forma exitosa.

Deve-se sublinhar que cada uma das lojas que se abrirão no iminente grande ciclo de expansão das franquias de restaurantes, acaba funcionando também, no cenário das cidades, como ativadora da vida urbana, tornando as ruas e as calçadas mais vivas, seguras e humanamente coloridas, com a diversidade etária, de raças, classes sociais, gêneros e níveis culturais. É preciso destacar, ainda, que a expansão das redes, no modelo de franquias, é poderoso fator de mitigação da elevada proporção de negócios subterrâneos no nosso setor, cuja informalidade ainda beira os 70% do universo total de 1 milhão dos estabelecimentos espalhados por todo o país. Portanto, a era da expansão das redes de restaurantes - e, consequentemente, da proliferação das franquias - acarretará significativo declínio da informalidade, profissionalizando o nosso setor, que alcançará níveis bem mais elevados de produtividade.

O Brasil emerge, assim, como a nova fronteira global da alimentação fora do lar. Que sejamos todos muito bem-vindos a este nosso admirável mundo novo.